Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Alta do juro nos EUA deve ser gradual e cautelosa, diz Tombini

Presidente do BC destaca que o dólar tem se fortalecido ante o real devido à expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos, processo que deve ter início nesta quarta-feira

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 11h37

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou em audiência no Senado que o Brasil é afetado pelo inicio do processo e normalização das condições monetárias dos Estados Unidos, que pode ocorrer nesta quarta-feira, o que tem levado ao fortalecimento do dólar. "Há a expectativa de que ciclo de aumento das taxas de juros americanas seja gradual e cauteloso. É processo complexo", completou.

Sobre as economias emergentes de maior destaque, Tombini destacou a desaceleração da economia da China. Ele citou a depreciação de moedas desse grupo de países e as condições de financiamento mais rígidas no mercado global.

Em relação ao setor externo, Tombini destacou como progressos do setor externo o saldo positivo da balança comercial de US$ 13 bilhões até novembro ante déficit verificado em igual período de no 2014. Ele também disse que as quantidades vendidas no exterior cresceram 10% ao mesmo tempo e as importações caíram 14%. 

Esses resultados, de acordo com o presidente do BC, colaboram para que setor externo volte a apresentar contribuição líquida positiva para o crescimento do País depois de 10 anos. Por conta disso, o BC passou a prever um recuo de US$ 40 bilhões em 2015 do déficit da conta corrente. 

"Evidências setoriais desse processo já podem ser vistas em alguns segmentos da indústria de transformação", citou. Ele também disse que a depreciação do câmbio torna economia brasileira mais atrativa para investidor internacional. O BC projeta Investimento Direto no País de US$ 65 bilhões em 2015, o que, conforme Tombini, demonstra a confiança dos investidores internacionais em nossa economia. 

O IDP, previu, será suficiente para cobrir déficit em conta corrente em 2015. "E deve ser ainda mais acentuada a tendência positiva em 2016", projetou.

Inflação. Ainda mantendo a espinha dorsal do discurso apresentado na semana passada na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Tombini falou sobre política fiscal e repetiu que a instituição trabalhará para trazer inflação o mais próximo do centro da meta em 2016. Também falou novamente que o BC agirá para a inflação convergir para centro da meta em 2017. 

Mais uma vez, o presidente do BC reiterou no Senado o discurso que nega situação de "dominância fiscal" no Brasil. Segundo ele, os atrasos no ajuste fiscal postergaram convergência da inflação para 4,5% no horizonte.

"O ambiente doméstico tem sido impactado por ajustes nas áreas externa, fiscal e monetária. Mas os custos são percebidos pela sociedade antes de seus benefícios, levando a questionamentos desse processo. Essa percepção inicial pode levar a um bloqueio parcial de propostas de ajustes, trazendo incertezas", afirmou. 

Destacou que os atrasos no ajuste fiscal acabarão adiando a retomada do crescimento, mas que o BC não limitará as suas ações pelos possíveis impactos fiscais de suas decisões. 

Por fim, falou mais uma vez também que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) continua "bem capitalizado e líquido" e que segue com a inadimplência controlada.

O presidente do Banco Central enfatizou que o BC tem dito reiteradas vezes que quanto mais houver política fiscal, mais acertada é a condução da política monetária.

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