BC usa "vários canhões" no câmbio, diz analista

"O Banco Central está utilizando um canhão. Aliás, vários", comentou o economista chefe da BBA Corretora, Alexandre Schwartsman, ao comentar as novas medidas baixadas pelo Banco Central para conter a alta do dólar. Ele atribui a ação do BC ao fato de o câmbio ter "esticado" demais nas últimas semanas. "Ele usou toda munição que tinha", reforçou o diretor de Tesouraria do Banco Fator, Sérgio Machado. Entre as medidas adotadas há um enxugamento da liquidez do mercado, por meio de compulsórios, e limites mais estritos para as operações cambiais das instituições financeiras.As medidas do BC vêm depois de duas tentativas aparentemente frustradas de conter a alta do dólar, que ontem bateu o nível histórico dos R$ 4,00. A primeira foi a mudança de 50% para 75% do limite de capital exigido na exposição cambial dos bancos, na última segunda-feira. Provavelmente em virtude de várias instituições de grande porte já estarem com folga nesse enquadramento, o efeito da medida foi restrito. A segunda tentativa veio com a entrevista do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que buscou acalmar o mercado com palavras. Tampouco funcionou. O sinal emitido pelo presidente do BC acabou tendo uma interpretação inversa - muita gente falou em impotência da autoridade monetária - e foi citada por muitos analistas como um reforço para a alta da moeda norte-americana.A medida anunciada hoje tem um peso muito maior que as anteriores. Sua eficácia, no entanto, dependerá basicamente da artificialidade, ou não, do movimento de depreciação do câmbio nos últimos dias. "Como a formação de preços vinha tendo um componente especulativo muito grande, as medidas fazem efeito", comenta o diretor de Tesouraria do Banco Fator, Sérgio Machado, estimando que o dólar não deverá cair para patamares muito abaixo do nível de R$ 3,80.

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