BC vai abrir 3ª rodada de aperto de juros sob Lula

Balanço do atual governo mostra que a Selic acumula queda de 16,25 pontos nos sete anos e três meses da era Lula, de 25% para 8,75%

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Se confirmada a alta do juro na quarta-feira, será o início da terceira rodada de aperto monetário conduzida exclusivamente pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar dessa provável alta, o balanço do atual governo nos juros mostra uma redução da taxa: a Selic acumula queda de 16,25 pontos nos sete anos e três meses do governo, de 25% para os atuais 8,75%.

Quando Lula começou o governo em 1º de janeiro de 2003, a Selic estava em 25% ao ano e o Brasil ainda sofria com a crise do ano anterior. Na época, as eleições fizeram o mercado entrar em parafuso com o temor de mudança na política econômica.

Após altas nas duas últimas reuniões do BC no governo anterior, Henrique Meirelles continuou o ciclo e subiu o juro nas duas primeiras reuniões do governo Lula. A postura foi importante para reconquistar a confiança do mercado, o que permitiu iniciar a primeira sequência de queda do juro poucos meses depois, em junho.

Em 2004, com a economia a todo vapor, os preços começaram a subir e o Comitê de Política Monetária (Copom) se viu obrigado a subir a Selic naquele que seria o primeiro ciclo de aperto iniciado e encerrado na gestão Meirelles. A taxa passou de 16% para 19,75%.

Quatro meses depois de terminado o ciclo, o BC começou o mais longo período de redução da Selic da história no Brasil: foram 18 cortes seguidos em dois anos, entre os meses de setembro de 2005 e 2007. Ao todo, a taxa caiu 8,5 pontos.

O segundo ciclo de altas foi meses antes do estouro da crise de 2008. Em quatro reuniões, o BC aumentou a Selic em 2,5 pontos entre abril e setembro para conter a velocidade da economia. Mas com a crise, a sequência foi interrompida e o juro passou a cair entre janeiro e julho de 2009 até atingir o atual patamar de 8,75% ao ano.

No jogo de forças entre aumentos e cortes da Selic no atual governo, a vantagem é da redução: já foram 32 reuniões com corte e 15 encontros com aumento desde o início de 2003.

Subir para cair. Nos últimos dias, o presidente do BC preparou o terreno para o aumento do juro em breve. Na quinta-feira, em entrevista ao Estado, Meirelles disse que haverá "controvérsia com aqueles que pensam que política monetária correta é aquela unidirecional: Selic boa é Selic cadente".

Dois dias antes, Meirelles defendeu que, às vezes, é preciso subir para, depois, reduzir a taxa Selic. "Muitas vezes é importante que se suba a taxa de juro para se manter a inflação na meta e, em consequência, garantir a trajetória de longo prazo de queda dos juros."

Além da discussão sobre a inflação, o BC também quer fazer as pazes com parte do mercado. Nos últimos meses, episódios como a possibilidade de saída de Meirelles para se candidatar a um cargo eletivo geraram ruído e críticas entre analistas.

A avaliação informal no BC é que o aperto poderia reforçar a imagem de "xerife do mercado", como a instituição sempre foi identificada pelos economistas.

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