BC vai monitorar crédito de mais de R$ 1 mil

O Banco Central anunciou ontem novos instrumentos para aumentar sua capacidade de monitorar e fiscalizar empréstimos e financiamentos. O plano passa por fechar brechas e evitar fraudes como as realizadas pela antiga diretoria do Banco Panamericano e também acompanhar operações cada vez menores, a partir de R$ 1 mil. As medidas foram anunciadas duas semanas depois de o governo escolher o crédito como um dos motores da economia em 2012. A intenção do BC é não ser surpreendido em caso de piora do cenário e eventual aumento de calotes.

FERNANDO NAKAGAWA/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h03

A lupa sobre as operações de crédito ganhará dois reforços em 2012. A partir de janeiro, bancos terão de enviar ao BC uma série de novas informações sobre as operações de crédito acima de R$ 5 mil de pessoas físicas e empresas. Depois, em abril, as regras mais rígidas serão replicadas para financiamentos a partir de R$ 1 mil, que passarão a fazer parte da central de risco de crédito do BC, o SCR.

Cruzamentos. Uma das maiores novidades é a que exige que bancos informem qualquer modificação na situação dos empréstimos. Se um banco vender, ceder ou mesmo se o cliente migrar a dívida para outro banco, o BC precisará ser informado.

"Os novos dados abrem a possibilidade de cruzamentos que aprimoram o processo de supervisão e reduzem o espaço para fraudes", disse o diretor de fiscalização do BC, Anthero Meirelles, ao comentar o caso do Panamericano que vendia operações para outros bancos, mas mantinha os registros no balanço como se não houvesse venda.

Bancos também precisarão informar ao BC a renda dos clientes e faturamento das empresas que tomam os empréstimos. "Ter esses dados permitirá uma avaliação mais completa e mais transparente. Temos a expectativa favorável de que o mercado de cessão de carteiras possa funcionar melhor e continuar se desenvolvendo de maneira adequada", disse Meirelles.

A partir de abril, o alcance da central de risco será ampliado para operações a partir de R$ 1 mil. Com isso, o chamado SCR passará a acompanhar 96% de todas as operações de crédito concedidas pelo sistema financeiro. Atualmente, o sistema abarca 88% das operações.

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