BC vê 25% de chance de inflação estourar a meta do ano

O Banco Central afirmou nestaquarta-feira ver uma probabilidade de 25 por cento de ainflação brasileira superar o teto da meta de 6,5 por cento em2008, mas frisou que fará "o necessário, enquanto fornecessário" para domar os preços. A avaliação foi feita durante divulgação do Relatório deInflação do segundo trimestre, em um dia em que a inflação deunovas evidências de aceleração no país. "O importante, especialmente nesse momento, diante depressões inflacionárias que se acumulam, é que a sociedadetenha bem claro que o Banco Central fará o necessário, enquantofor necessário, para manter a inflação alinhada à trajetóriadas metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional", afirmouo diretor de Política Econômica, Mário Mesquita, em entrevistaà imprensa. Questionado sobre o período de tempo que isso poderiasignificar, Mesquita afirmou: "um período razoável de tempo". No relatório, o BC elevou para 6 por cento sua estimativapara a variação do Índice Nacional de Preços ao ConsumidorAmplo (IPCA) em 2008, ante projeção anterior de 4,6 por cento,e aumentou de 4 por cento para 25 por cento a probabilidade deos preços subirem além do teto da meta. O CMN fixou em 4,5 por cento a meta de inflação para 2008 e2009, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cimaou para baixo. O prognóstico do BC leva em conta juros estáveis em 12,25por cento ao ano, taxa de câmbio em 1,65 real e foi construídocom as informações disponíveis para o BC até 13 de junho. Nesta manhã, o IPCA-15 de junho surpeendeu negativamente omercado ao subir 0,90 por cento, frente a uma expectativa de0,78 por cento, segundo mediana de analistas consultados pelaReuters. Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin,o tom do relatório veio em linha com o esperado e reforçouvisão de que o BC elevará o juro em julho em 0,5 ponto pelaterceira vez consecutiva caso não haja surpresas maissignificativas ao longo das próximas semanas. "O Banco Cental tentou passar a visão de que está comcontrole da inflação e confortável com o ritmo de aperto de 50pontos", afirmou Schahin. DEMANDA X OFERTA Mesquita afirmou que o descasamento entre a oferta e ademanda na economia brasileira é "o principal risco que o BancoCentral vislumbra no cenário inflacionário". "A demanda doméstica cresce a um ritmo bastante superior aoritmo do produto", afirmou o diretor. Ele frisou que, apesar de o investimento estar crescendo ataxas "bastante respeitáveis", a maturação desses investimentosnão foi suficiente, até o momento, para aliviar as pressõesinflacionárias e o uso da capacidade instalada das empresaspermanece em patamares elevados. Para que esse alívio seja sentido, "é possível que tenhamosque assistir a uma elevação da taxa de investimento em relaçãoao PIB", afirmou Mesquita. A taxa de investimento no Brasil está em torno de 20 porcento, afirmou o diretor, lembrando que, em outras economiascomparáveis da região, essa proporção é mais próxima de 25 porcento. O BC estima que a inflação seguirá em alta até o terceirotrimestre deste ano, quando atingirá o pico de 6,3 por cento em12 meses. Os preços então começarão a desacelerar, e fecharão2009 em 4,7 por cento, acima da meta central do BC de 4,5 porcento. (Edição de Renato Andrade)

ISABEL VERSIANI, REUTERS

25 de junho de 2008 | 15h36

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