André Dusek/Estadão
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BC vê convergência da inflação para meta ao final de 2016, diz ata

No documento, que explica a elevação dos juros para 13,25%, o BC ajustou para cima a projeção de alta dos preços administrados

O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 08h58

O Banco Central afirmou que as decisões futuras de política monetária serão tomadas com o objetivo de assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% ao final de 2016, retirando a menção, em ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que isso ocorreria ao longo do próximo ano. O BC também ajustou para cima a projeção de alta de preços administrados em 2015 para 11,8%, ante 10,7% anteriormente.

Diante da persistência de pressões inflacionárias, o BC elevou novamente na semana passada a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto porcentual, chegando a 13,25% ao ano, apesar das perspectivas de retração da economia.
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No texto, divulgado nesta quinta-feira, 7, a instituição reafirmou que pode e deve conter os efeitos de segunda ordem decorrentes do ajuste de preços relativos, mas inseriu uma afirmação nova, de que faz essa contenção dos efeitos para "circunscrevê-los a 2015". O novo trecho entrou no parágrafo 27, que entre outras coisas, reafirma que os efeitos de ajustes de preços relativos são a causa da inflação elevada (atualmente na casa dos 8%, bem acima do teto da meta de 6,5%). No entanto, o órgão não vê mais um fortalecimento desse movimento. Até o Copom de março, o BC classificava o ajuste de preços relativos com a palavra "intensificação", termo que foi retirado. 

A instituição também entendia até a reunião anterior do colegiado que essas correções dos preços relativos tornava o balanço para a inflação menos favorável, agora, ele entende ser desfavorável. "Nesse contexto, conforme antecipado em Notas anteriores, esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015", disse um trecho do documento. 

Preços administrados. Na ata da última reunião do Copom, o BC considerou que a alta dos preços administrados em 2015 será de 11,8%, e não mais de 10,7% como no documento anterior. No caso de 2016, a previsão é de alta de 5,3% desse conjunto de preços foi substituída por uma elevação de 5,3%.

De acordo com o documento elaborado pela diretoria do BC, essa previsão para os administrados leva em conta uma alta de 38,3% na tarifa de energia elétrica, mesma expectativa do ata anterior. No caso de telefonia fixa a previsão da diretoria do BC é de uma queda de 4,1% em 2015, mesmo valor considerado no Copom anterior.

Para formar seu cenário para os preços administrados, o BC informou também que levou em conta hipótese de elevação de 9,8 no preço da gasolina (ante 8% de março) e de alta de 1,9% no preço do botijão de gás (3,2% era a estimativa anterior). Até a ata da reunião do Copom de dezembro, a instituição limitava-se a relatar a variação desses itens dentro de um limite de tempo.

O BC ainda excluiu do trecho a explicação para suas projeções de gasolina e eletricidade, no caso do combustível, até a ata de março, a instituição diziam que a alta da gasolina era reflexo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e da PIS/COFINS; para a energia, dizia que a projeção se explicava devido ao repasse às tarifas do custo de operações de financiamento, contratadas em 2014, da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Especificamente sobre preços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 5,68% em doze meses até março (5,71% em março de 2014), e os de não comercializáveis, 7,40% (8,09% em março de 2014). O BC destacou ainda que os preços no segmento de alimentos e bebidas aumentaram 8,19% em doze meses até março (7,13% em março de 2014), e os dos serviços, 8,03% (9,09% em março de 2014). (Com informações da Agência Estado e da Reuters).

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