BC vê economia numa perspectiva de longo prazo, diz especialista

O relatório trimestral de inflação, divulgado ontem pelo Banco Central, mostra que o governo adotou uma visão de longo prazo da economia, o que faz "muito sentido", na análise do superintendente-executivo do Bank Boston, Júlio Ziegelmann. No documento, o BC reviu de 5,3% para 5,5% a estimativa de inflação para este ano, mas diminuiu as projeções para 2006 de 4% para 3,8%. "Não faz sentido o governo praticar política monetária mirando a economia no curto prazo. Chegaria o momento em que teria de começar a olhar para o próximo ano, e esse relatório mostra isso", disse, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". Ziegelmann aponta que esses dados criaram expectativa no mercado de paralisação na trajetória de alta da Selic, que vem subindo desde setembro de 2004 (de 16% para 19,25% ao ano). Embora o Brasil esteja indo bem economicamente, ele pondera que as projeções para 2006 "não são imutáveis", principalmente por conta dos fatores externos. Nesse aspecto, o que mais preocupa não só ao Brasil mas ao mundo todo, de acordo com o Ziegelmann, é a economia americana.A situação dos EUA, com seus déficits fiscal e comercial, preocupa, afirma o economista, principalmente o mercado de ações do mundo. "O que está ocorrendo com os juros dos Estados Unidos preocupa o investidor do mercado de ações. O último relatório do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) esboçou preocupação maior com a inflação nos EUA. Criou-se um temor de que o índice cresceria além do previsto", avaliou. Essa situação, segundo ele, não deve causar problemas no curto prazo, já que a economia americana vem crescendo a um ritmo de 4% ao ano, mas no longo prazo pode trazer.

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