BC vê expansão de até 25% do crédito sem preocupação

O Banco Central estima que o volumetotal de crédito no país crescerá de 20 a 25 por cento esteano, ritmo que considera "razoável" e "confortável" para aeconomia brasileira. Em 2007, o crédito cresceu 27,3 por cento. A avaliação, feita nesta terça-feira, veio um dia depois deo ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestar preocupaçãocom os níveis atuais de financiamentos. "Isso nos levaria a relação crédito/PIB para algo como 40por cento, ou em torno disso, que não é uma relação elevadaquando se compara com economias similares à economiabrasileira", afirmou a jornalistas o chefe do DepartamentoEconômico do BC, Altamir Lopes, ao comentar a estimativa."Então você tem um crescimento razoável nos volumes decrédito... Não é um crescimento muito forte no seu conjunto." O estoque de crédito encerrou fevereiro em 957,6 bilhões dereais, ou 34,9 por cento do Produto Interno Bruto, o maiornível desde maio de 1995, quando estava em 35,1 por cento doPIB. Na comparação com janeiro, mês com mais dias úteis quefevereiro, o volume cresceu 1,1 por cento. Na segunda-feira, Mantega afirmou que pretende se reunircom representantes dos bancos esta semana para avaliar se osníveis de alavancagem das instituições é seguro. Ele admitiu estar preocupado com os prazos de algunsfinanciamentos, como o de automóveis. Lopes ponderou que apenas uma parcela da venda deautomóveis é financiada. Em 2007, dados da Associação Nacionalde Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) citados por Lopesmostram que essa parcela chegou a 38 por cento. Outros 28 porcento das vendas foram pagas à vista, 30 por cento por meio deleasing e 4 por cento, consórcios. JURO SOBE A taxa média de juros cobrada pelos bancos oscilou para37,4 por cento ao ano no mês passado, frente a 37,3 por centoem janeiro. A pequena elevação na taxa, segundo Lopes, reflete umareação das instituições às medidas anunciadas pelo governo emjaneiro para compensar o fim da CPMF --elevação das alíquotasdo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da ContribuiçãoSocial sobre Lucro Líquido cobrada dos bancos. "Minha impressão é que, passado esse momento inicial deassimilação das medidas, as taxas vão se acomodar", afirmouLopes, ressaltando que dados preliminares de março jáindicariam essa tendência. O spread bancário --diferença entre a taxa de captação dosbancos e a cobrada dos clientes-- subiu para 26 pontospercentuais, ante 25,7 pontos no mês anterior.

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