BC vê inflação abaixo do centro da meta, de 4,5%, no fim deste ano

Relatório de Inflação estima que o IPCA no cenário de referência fechará 2012 em 4,4% 

Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

29 de março de 2012 | 09h02

Texto atualizado às 10h25

BRASÍLIA - O Banco Central (BC) já projeta a inflação para abaixo do centro da meta no fim deste ano. Pelos dados do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pelo cenário de referência fechará 2012 em 4,4%. O documento mostra um recuo de 0,3 ponto porcentual na projeção do IPCA para este ano, já que a estimativa anterior era de 4,7%. A meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 4,5%.

Pelo cenário de referência, a projeção para inflação acumulada em 12 meses se posiciona acima do valor central de 4,5% ao longo do primeiro semestre de 2012, deslocando-se em direção à trajetória da meta nos dois trimestres seguintes. A inflação acumulada em 12 meses parte de 5,5% no primeiro trimestre de 2012, reduz-se para 5,0% no segundo e para 4,4% no terceiro, encerrando o ano neste patamar, conforme o BC.

As projeções anteriores eram de 5,9% (primeiro trimestre), 5,5% (segundo trimestre) e 4,7% (terceiro e quarto trimestres). Os dados do BC levam em conta todo o conjunto de informações disponíveis até 9 de março de 2012 (data de corte).

O cenário de referência pressupõe manutenção da taxa de câmbio de R$ 1,75 e taxa Selic de 9,75% constantes no horizonte de previsão. No relatório anterior, de dezembro, a taxa de câmbio era de R$ 1,80 e a Selic, de 11%.

No cenário de mercado, que usa as trajetórias para a taxa Selic e para o câmbio da pesquisa Focus, o BC projeta a inflação em 2012 vai fechar exatamente no centro da meta de 4,5%, de 4,8% anteriormente.

Apesar da convergência da inflação para a meta ao longo deste ano, o BC projeta uma aceleração da alta dos preços em 2013. No Relatório de Inflação, a autoridade elevou de 4,7% para 5,2% a sua estimativa do IPCA ao final do próximo ano, no cenário de referência, o que representa uma alta de 0,50 ponto porcentual entre o relatório de dezembro e o divulgado hoje. Os dados devem reforçar as preocupações do mercado financeiro em relação à possibilidade de o BC ser obrigado a aumentar os juros novamente, após o fim do ciclo de afrouxo monetário.

O BC projeta um aumento da inflação já no primeiro trimestre do próximo ano. De acordo com os novos dados do BC, a projeção para o primeiro trimestre de 2013 sobre para 4,9%, atingindo 5,0% no segundo trimestre. E depois sobe ainda mais, para 5,2% no terceiro trimestre, encerrando o ano nesse patamar. Para o primeiro trimestre de 2014, a projeção caiu para 5,1%.

O BC informa ainda que a probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta em 2012 caiu de 10% para 3%. Para 2013, essa probabilidade se encontra em torno de 22%.

"Inflação resistente"

O BC faz uma dura crítica no relatório de inflação aos mecanismos de reajustes regulares e "quase" automáticos de preços na economia. Para o BC, esses reajustes são "resistências" importantes à queda da inflação no Brasil, que contribuem para prolongar, no tempo, pressões inflacionárias observadas no passado.

Na avaliação do BC, os mecanismos de indexação contribuem para elevar o "ponto de partida" da taxa de inflação em ciclos de moderação econômica. Dessa forma, a indexação potencializa os riscos para o cenário inflacionário prospectivo e elevam os custos da desinflação.

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