BC vê inflação acima do centro da meta em 2008 e 2009

Relatório trimestral aponta alta de 6% para o IPCA em 2008 e de 4,7% em 2009; meta fixada era de 4,5%

Reuters e Agência Estado,

25 de junho de 2008 | 08h38

A inflação brasileira deve superar o centro da meta em 2008 e 2009, de acordo com as novas projeções do Banco Central contidas no Relatório de Inflação do segundo trimestre, divulgado nesta quarta-feira, 25. O BC vê uma alta alta de 6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008, ante estimativa anterior, feita no relatório do primeiro trimestre, de 4,6%.  Veja também:Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  A estimativa para a inflação em 2009 é de 4,7%, ante projeção de 4,4% feita no relatório divulgado em março. A meta de inflação fixada para os anos de 2008 e 2009 é de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo. O BC informou ainda que manteve em 4,8% sua estimativa para a taxa de crescimento da economia brasileira em 2008.  Já no acumulado dos doze meses encerrados em março de 2010 (1º trimestre) a projeção central do cenário de referência sobe de 4,3% para 4,7%. Para os doze meses encerrados no final do segundo trimestre a previsão permanece em 4,8%.  As previsões do cenário de referência levam em conta a manutenção da taxa Selic de 12,25% e taxa de câmbio de R$ 1,65 durante todo o período da previsão. No relatório de inflação de março a projeção de referência considerava taxa Selic de 11,25% e dólar a R$ 1,70.  Com relação aos preços administrados (tarifas públicas) foi mantida a previsão de alta de 4% para 2008. Para 2009 e 2010 foi mantida a expectativa de elevação de 4,5%. Explicações O documento do BC destaca que a tendência de alta da inflação pode ser atribuída ao descompasso entre oferta e demanda. O BC diz ainda que a pressão sobre os preços ocorre "em escala global". Entre os itens que têm liderado essa subida de preços, o relatório destaca a carne, leite e seus derivados, "que começaram a subir com maior intensidade em 2007, revertendo cenário bastante benigno que vigorara no ano anterior", cita o texto. Para o BC, o aumento desses preços está diretamente ligado a fatores estruturais "que tendem a ser persistentes, como a maior demanda por parte de grandes países asiáticos", como a China e Índia. Outro fator apontado pela autoridade monetária é "o deslocamento da produção de algumas culturas, como o milho, em favor da produção de biocombustíveis". O relatório diz, ainda, que os preços também têm sofrido com fatores transitórios, como as condições climáticas desfavoráveis e restrições tarifárias e não-tarifárias "impostas ao comércio de produtos específicos por diversos países nos últimos meses". Grandes produtores agrícolas, como a Argentina, têm desincentivado a exportação de produtos agrícolas como forma de tentar conter a inflação interna. O BC também afirma que, além do aumento do petróleo, o minério de ferro também tem subido, o que potencializa o aumento dos índices de inflação. Defesa O documento do BC traz um box em que é feita a defesa da ação preventiva de combate à inflação. A partir da página 120 do documento, o BC estuda a ação de 26 banco centrais. Após essa análise, o BC diz que há "evidências de que ciclos de aperto dos juros preventivos são relativamente mais curtos, mais brandos, mais eficazes e menos custosos do que os reativos".  A defesa da ação preventiva da autoridade monetária é completada com a lembrança de que a experiência mostra que "as ações de política monetária preventivas parecem ser mais eficazes no sentido de reduzir a inflação, bem como implicam menores custos em termos de atividade".  Apesar do discurso de defesa da ação que coincide com a adotada em abril pelo BC brasileiro, que iniciou processo de aperto monetário, o texto observa que essa avaliação reflete "a evidência empírica disponível" e que isso não "representa, nem deve ser interpretado como uma projeção do Comitê de Política Monetária sobre a evolução do processo de ajuste monetário em curso". 

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