BC vê inflação em 12 meses em direção à meta

O Copom reafirmou em ata divulgada na manhã desta quinta-feira pelo Banco Central que sua visão é de que a inflação acumulada em doze meses começou a recuar no último trimestre do ano passado e tende a se deslocar na direção da trajetória de metas, ainda que de forma não linear. A avaliação é a de que a inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial as dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação neste e nos próximos semestres.

CÉLIA FROUFE E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

06 de setembro de 2012 | 10h52

O Copom também ponderou que, embora a expansão da demanda doméstica tenha moderado, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres, ainda que exista assimetria entre os setores. "Essa avaliação encontra suporte em sinais que apontam expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas e no fato de a confiança de consumidores e, em menor escala, de empresários se encontrar em níveis elevados", consideraram os diretores do BC.

O Comitê acrescentou ainda que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de já ser verificada certa acomodação na margem.

O BC retirou da ata do Copom, que "os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somaram aos da moderação da atividade doméstica", conforme constava no texto divulgado no documento da reunião anterior, de julho. Esta análise constava do parágrafo 23.

Na ata atual, o Copom salientou no mesmo trecho que acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais, entre outros, moderação da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos e condições de crédito mais restritivas. "Também constitui canal de transmissão de grande importância a repercussão sobre a confiança de empresários", trouxe o documento, conforme já constava na edição anterior.

Superávit primário

O BC manteve a expectativa de que o superávit primário deste ano representará 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme já manifestado em atas anteriores. A projeção contempla também esse porcentual sem ajustes para o próximo ano, conforme os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). "Para 2014, admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superavit primário de 3,10% do PIB, sem ajustes", trouxe o documento.

Economia global

O BC também manteve a avaliação de que a economia global enfrenta período de incerteza acima da usual. Retirou, no entanto, o trecho que falava sobre "elevada aversão ao risco". O BC citou novamente a perspectiva de baixo crescimento mundial, acrescentando a expressão "período prolongado".

De acordo com a ata, prevalece ritmo moderado de atividade nos Estados Unidos (EUA), em ambiente de riscos decorrentes do quadro de contenção fiscal e da crise europeia. Na ata anterior, o BC havia usado, neste mesmo trecho, a expressão "recrudescimento da crise europeia". No documento de julho, também dizia que os dados daquele momento sugeriam "certo arrefecimento da atividade nos EUA".

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