BC vê inflação maior, mas não preocupa analistas

O Banco Central manteve seu prognóstico para a economia brasileira neste ano e elevou suas projeções para a inflação em 2009 e 2010, mas ambas seguem abaixo do centro da meta de inflação perseguido pelo governo, mostrou o Relatório Trimestral de Inflação do terceiro trimestre divulgado nesta sexta-feira.

VANESSA STELZER, REUTERS

25 de setembro de 2009 | 11h13

Analistas disseram que as previsões piores de inflação dão suporte às altas do mercado de juros futuros, mas não preocupam e não levam a revisões para cima nas perspectivas para Selic, já que a inflação continua em linha com o centro da meta.

Segundo o BC, o cenário econômico baseia-se no fato de que indicadores do terceiro trimestre sugerem aceleração do crescimento satisfatório tido nos três meses anteriores e leva em conta os impactos do processo de flexibilização monetária e estímulos fiscais. O de inflação incorpora, em parte, os impulsos fiscais.

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano permaneceu em expansão de 0,8 por cento.

"A evolução de importantes indicadores setoriais, no decorrer do terceiro trimestre do ano, sugere aceleração do ritmo de crescimento da atividade", disse o BC, citando dados de confiança do consumidor e do empresário e de produção industrial.

A previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano subiu de 4,1 por cento no relatório do segundo trimestre para 4,2 por cento.

Para a inflação do ano que vem, a projeção aumentou mais fortemente, de 3,9 para 4,4 por cento. O BC vê a inflação acelerando para 4,6 por cento nos dois primeiros trimestres de 2011 e recuando para 4,5 por cento no terceiro.

"A elevação da projeção de inflação no segundo semestre de 2010 e no primeiro de 2011 em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade", afirmou o BC.

"O recuo da projeção no terceiro trimestre de 2011 reflete a expectativa de que ao menos em parte esses estímulos fiscais sejam retirados a partir do segundo semestre de 2010."

O BC enfatizou também que a desaceleração da inflação brasileira ao consumidor decorrente da crise financeira foi modesta se comparada a outras economias, devido à persistência de mecanismos de indexação de preços e salários.

ANALISTAS MINIMIZAM INFLAÇÃO

O mercado de juros futuros iniciou o dia em forte alta devido ao cenário pior de inflação, mas analistas mantiveram seus cenários.

Zeina Latif, economista-chefe do ING, não mudou sua visão de um aperto monetário começando apenas em julho de 2010, totalizando 1,5 ponto percentual de alta naquele ano, e sua previsão de inflação de 4,5 por cento neste ano.

"Para a gente ter um desvio significativo da meta, tinha que ter uma dinâmica pior de câmbio ou de commodities, que não é o caso.... Vejo uma alta na Selic na linha de uma normalização, de uma linha fina da política monetária, e não na linha de forçar convergência de inflação para o centro."

Ela disse que as novas projeções de preços do BC não refletem os dados correntes benignos porque eles têm impacto no curto prazo, e que o foco ficou na recuperação econômica.

"(A alta) deve-se a hiato do produto, uma vez que a gente está falando de uma recuperação forte da economia e de um monte de efeito de política monetária ainda para acontecer."

Jankiel Santos, economista-chefe do Bes Investimento, lembra que o cenário econômico do BC é melhor que o do mercado, o que pode significar mesmo inflação mais alta. Segundo o Focus, o mercado estima estabilidade do PIB neste ano.

"A simulação aponta para o cumprimento da meta em 2009 e nos dois anos seguintes. E é importante levar em conta que o BC está com um PIB bem mais forte que o do mercado. Acreditamos que o cenário para um movimento agressivo e antecipado (da alta na Selic) perde grande parte de seu apelo", disse ele.

A perspectiva do BC para a economia em 2009 inclui revisões para a formação bruta de capital fixo, de queda de 5,1 por cento para recuo de 10,7 por cento, e do consumo das famílias, de alta de 1,5 para 2,5 por cento. O prognóstico para o consumo do governo permaneceu em alta de 2,8 por cento.

A perspectiva para o PIB industrial no ano é de queda de 3,3 por cento e para o agropecuário é de baixa de 1,2 por cento. O BC vê crescimento dos serviços, em 2,7 por cento.

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