André Dusek/Estadão
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Banco Central sinaliza fim do ciclo de alta do juro, mas diz que se manterá 'vigilante'

Ata do Copom apontou para inflação maior neste ano, mas vê IPCA dentro da meta em 2016; BC afirmou que a política monetária está na 'direção correta'

Victor Martins, Célia Froufe e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 09h08

BRASÍLIA - Apesar da alta dos juros, as projeções de inflação do Banco Central continuam em alta para 2015. O BC informou que sua projeção para a inflação de 2015 subiu  no cenário de referência e segue acima do centro da meta de 4,5%. No caso do cenário de mercado, a projeção da autoridade monetária para este ano aumentou e também segue acima do centro da meta. As informações foram divulgadas por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, que elevou a taxa básica de juros em meio ponto porcentual de 13,75% para 14,25% ao ano. 

O BC reafirmou que a convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem se fortalecido. O BC acredita que a política monetária está na "direção correta". A instituição deixou de ver seus esforços como insuficientes para atingir os objetivos no controle da inflação. No trecho em que faz essa ponderação, o Banco Central excluiu a frase "ainda não se mostram suficientes" quando falou sobre os efeitos da política monetária. No lugar dessa avaliação, disse que a política monetária está na direção correta e acrescentou que os riscos remanescentes para que a inflação fique na meta em 2016 são condizentes com efeitos defasados e cumulativos da política monetária. 

O BC afirmou que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros por "período suficientemente prolongado" é necessário para a convergência da inflação para o centro da meta em 2016. Diante da ata, alguns especialistas entenderam que o ciclo de alta de juro chegou ao fim, mas que o BC deixou a porta aberta para elevar a Selic novamente, mais cedo ou mais tarde. 

O BC entende, no entanto, que apesar dessa visão de que o IPCA estará em 4,5% ao final de 2016, é preciso alguma dose de cautela e observou que é preciso permanecer vigilantes em caso de desvios significativos das projeções de inflação em relação à meta. 

No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o BC informou que sua previsão para o IPCA deste ano estava em 9% no cenário de referência e em 9,1% no de mercado. Nesse mesmo documento, a autoridade monetária admitiu que a chance de estouro da meta era de 99%. No último Relatório de Mercado Focus, a mediana das estimativas dos economistas do setor privado era de que a inflação oficial do País encerrasse este ano em 9,25% - foi a 16ª alta consecutiva das previsões. 

O relatório também projetou o IPCA de 2016 em 4,8% no cenário de referência e em 5,1% no de mercado, com chance de estouro da meta de 15%. A atualização do RTI será feita no mês que vem. Na próxima semana, o diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, se encontrará com analistas do setor privado do Rio de Janeiro e de São Paulo para obter mais percepções para a confecção do documento.

Para este ano, a autoridade monetária promete apenas evitar a contaminação da atual alta dos preços para o restante da economia, contendo, assim, os efeitos secundários. Principalmente no início do ano, foi verificado um aumento dos preços administrados e atualmente há também uma elevação do dólar - a alta em 2015 já passa dos 30%.

Energia mais cara O Banco Central revisou mais uma vez para cima sua projeção para os preços administrados de 2015. Para a autoridade monetária, esse conjunto de itens apresentará elevação de 14,8% este ano, e não mais de 12,7% como constava na edição anterior - no documento de abril, a previsão era de 11,8% e, no de março, de 10,7%. Para 2016, a diretoria prevê agora uma taxa de 5,7% ante 5,3% de abril e junho e de 5,2% de março. 

Apesar dos sucessivos aumentos, o parâmetro do BC ainda está em um patamar mais baixo do que a expectativa de analistas do mercado financeiro. No Relatório Focus, a mediana das projeções para os preços administrados estava em 15,12% para este ano e em 6% para o próximo.

A ata de hoje revela que, para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 50,9% da tarifa de energia elétrica este ano. Na edição de junho, a previsão era de 41%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê agora uma queda de 3,0% ante baixa de 4,4% da ata anterior. A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 9,2% do preço da gasolina (antes estava em 9,1%) e de alta de 4,6% do preço do botijão de gás, substituindo a taxa de 3%. 

Dólar. O BC não ignorou a alta do dólar nas últimas semanas. A ata informa que o Copom mudou sua premissa para o câmbio de R$ 3,15 para R$ 3,25 pelo cenário de referência. Ainda assim, o valor considerado para o dólar está abaixo do valor negociado no dia em que o colegiado decidiu subir a Selic de 13,75% ao ano para 14,25%. Na quarta-feira passada, o dólar à vista fechou em R$ 3,330.

O valor de taxa de câmbio utilizado na ata é mais elevado do que a cotação de R$ 3,10 considerada no Relatório Trimestral de Inflação de junho. Apesar desse ajuste feito pelo BC, a premissa usada na data do Copom já está desatualizada, já que ontem, a moeda americana terminou o dia cotada a R$ 3,489. (Com Reuters)

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