BC vê inflação mais longe da meta em 2011 e 2012

Expectativa do Banco Central para o IPCA em 2012 subiu de 4,6% para 4,8% e, para este ano, a expectativa subiu de 5,6% para 5,8%

Fabio Graner e Renata Veríssimo/ BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

Mesmo com juros mais altos e taxa de câmbio um pouco mais valorizada em relação a março, as projeções de inflação do Banco Central para este e o próximo ano pioraram, distanciando-se ainda mais do centro da meta.

Os números mais pessimistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e as manifestações mais preocupadas do Banco Central com o "aquecimento" do mercado de trabalho e os reajustes de salários levaram o mercado financeiro a não só consolidar a aposta de mais uma alta de juros no mês que vem, mas também a especular com uma maior chance de a Selic subir em agosto.

De acordo com o relatório trimestral de inflação divulgado ontem, a expectativa do BC para o IPCA em 2012, ano em que pretende ver a inflação no centro da meta (4,5%), subiu de 4,6% para 4,8%. Em relação a 2011, a expectativa subiu de 5,6% para 5,8%.

As previsões são do chamado cenário de referência, que leva em conta o atual nível de juros e dólar. No cenário de mercado, que também é produzido pelo BC, mas considera projeções dos analistas financeiros para juros e taxa de câmbio, também houve piora. O IPCA para 2012 subiu de 4,6% para 4,9%. Para 2011, de 5,6% para 5,8%.

"Sinais favoráveis". Apesar de os números esperados pelo próprio BC evidenciarem um quadro pior do que o almejado para a trajetória do IPCA, a autoridade monetária curiosamente voltou a dizer que o balanço de riscos para o cenário de inflação tem sinais mais "favoráveis". O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, afirmou que não há contradição nessa dupla mensagem.

Ele explicou que, ao usar a expressão balanço de riscos mais favorável, o BC quer dizer que há probabilidade maior (acima de 50%) de que o IPCA fique mais baixo do que está previsto no relatório. "Não quer dizer que a inflação não possa ficar pior. É uma avaliação de tendência."

Hamilton argumentou que esse cenário mais favorável mencionado no relatório é uma percepção baseada em diversos elementos: o processo de alta da Selic que está em curso, a moderação do ritmo de alta do crédito, nos preços de commodities internacionais, a menor velocidade de recuperação da economia mundial e a contribuição de uma política fiscal mais apertada.

Mas o grau de alerta do BC subiu em relação à possibilidade de reajustes salariais no segundo semestre, que foi apontada como "um risco muito importante" para a inflação. O tema ganhou mais ênfase no relatório porque as previsões do BC apontam para o estouro do teto da meta de inflação em 12 meses em pleno período de importantes negociações salariais. O BC também chamou a atenção para os riscos da atual política do governo de reajuste do salário mínimo, que deve fazer o piso do País subir mais de 13% em 2012.

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