André Dusek/Estadão
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BC vê inflação menor em 2017 e cenário favorece corte de juros

No Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central também reduziu de 0,8% para 0,5% a previsão para o PIB em 2017

Adriana Fernandes, Fernando Nakagawa e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 08h47

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O Banco Central indicou que deve acelerar o ritmo do corte de juros. Com a avaliação de que a inflação é cada vez menos intensa, a instituição diz que há espaço para “intensificação moderada do ritmo de flexibilização da política monetária”. Analistas entenderam como recado de que a taxa Selic passará a cair 1 ponto porcentual a cada reunião a partir de abril – velocidade mais intensa que os cortes recentes de 0,75 ponto.

O Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem reconheceu que está consolidado o chamado processo de “desinflação” – perda de força da alta dos preços. Na avaliação dos diretores do BC, os preços sobem com cada vez menos intensidade e de forma mais disseminada entre os vários segmentos da economia.

“A inflação apresenta dinâmica favorável. O processo de desinflação em curso mostra-se mais difundido. Isso denota maior robustez do movimento”, cita o texto. Nesse processo, chama atenção que até mesmo os serviços – normalmente com preços mais resistentes – dão sinal de acomodação. Esse movimento, ainda, foi acelerado pela queda do preço dos alimentos. Para o BC, o quadro aumenta a confiança de que a desinflação continuará meses à frente.

Ao apresentar o documento, o diretor de política econômica, Carlos Viana de Carvalho, ressaltou que a inflação já tem surpreendido positivamente analistas desde setembro de 2016. Ou seja, com alta menor que o esperado. Os alimentos, porém, não são responsáveis por todo o processo. “Isso não é toda história”, disse, ao comentar que há acomodação dos preços mesmo quando é excluído o efeito dos alimentos.

Para o BC, a inflação deve fechar o ano em 3,9%, abaixo do centro da meta de 4,5% para o ano. Ao levar em conta as previsões do mercado para o juro e dólar, a expectativa é de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4% neste ano. O número é bem diferente da alta de 6,29% registrada em 2016. Para 2018, a inflação deve ficar em 4% no quadro oficial do BC, o chamado “cenário de referência”, e em 4,50% levando-se em conta as previsões do mercado financeiro.

Apostas. No mercado, o documento consolidou a aposta de que o juro cairá mais rapidamente em abril. “Como nas duas últimas reuniões o BC reduziu a taxa de juros em 0,75 ponto, entendemos que tal sinalização suporta nossa expectativa de cortes de 1 ponto nas duas próximas reuniões”, avalia o Banco Safra em relatório aos clientes.

Com avaliação semelhante, o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, considera que o documento deu “mais conforto” ao cenário da instituição financeira que prevê aceleração do ritmo de afrouxamento monetário para 1 ponto a partir de abril. “E mantém que o quadro será de aceleração moderada, não deve ser de mais de 1 ponto”.

Logo na abertura dos negócios do mercado de juros futuros, a mensagem do BC fez com que parte relevante dos investidores trabalhasse com chance de corte de até 1,25 ponto, mas a aposta perdeu força e, no fim da manhã, já era majoritária a previsão de 1 ponto. A mudança aconteceu especialmente pelo uso do termo “intensificação moderada” pelo Banco Central./COLABORARAM THAÍS BARCELLOS E MARIA REGINA SILVIA

 

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