BC vê rápida recuperação da atividade econômica pós-crise

O Banco Central fez uma avaliação positiva sobre o comportamento da atividade econômica brasileira após o período de impactos diretos da crise financeira internacional, como se vê pelo Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pela autoridade monetária. "Embora os números ainda sejam negativos na comparação interanual, a atividade econômica praticamente retornou ao ritmo de crescimento vigente antes da intensificação da crise mundial, exibindo rápida recuperação", diz o documento.

CÉLIA FROUFE E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

22 de dezembro de 2009 | 10h17

No relatório, o BC registra que, após dois recuos consecutivos - no último trimestre de 2008 (-2,9%) e no primeiro de 2009 (-0,9%) - o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado cresceu 1,1% e 1,3%, respectivamente, no segundo e terceiro trimestres de 2009, ante o trimestre anterior, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE. Na comparação com igual período de 2008, o BC salienta que o PIB recuou 0,9% no terceiro trimestre.

O relatório deu ênfase à recuperação do setor industrial. De acordo com o documento, após recuar 8,1% no quarto trimestre do ano passado e 4,4% no primeiro trimestre deste ano, cresceu 2,6% no segundo trimestre de 2009 e 2,9% no terceiro, registrando a maior expansão entre os três setores em ambos os períodos, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE. "A recuperação desse setor - que nos trimestres anteriores foi fortemente afetado tanto pela redução da demanda por bens duráveis e de investimento, como da demanda externa - refletiu os efeitos dos estímulos, fiscais e monetários, bem como das medidas visando à normalização da oferta de crédito." O documento destacou também que os estoques se encontravam elevados no início do ano e sofreram forte ajuste, mas, na avaliação do BC, tendem a se recompor e assim constituir importante fator mantenedor do atual dinamismo da produção industrial.

Já em relação à agropecuária, o BC salientou que o setor recuou 2,5% no terceiro trimestre, completando o quarto trimestre consecutivo de retração, e continua a responder aos efeitos da crise econômica mundial tanto sobre a demanda externa como sobre o preço das commodities agrícolas.

Sobre o setor de serviços - o de maior peso no PIB e que mostrou maior resiliência durante a crise - o relatório ressaltou que houve expansão de 1,6% no terceiro trimestre, após avanço de 1,7% no segundo trimestre. "De um modo geral, a robustez da demanda doméstica e do emprego contribuíram sobremaneira para a diminuição das incertezas macroeconômicas, ajudando na recuperação da economia", afirma o documento do BC.

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