JF Diorio/Estadão
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BC vende apenas 36,4% da primeira oferta de dólares à vista após 10 anos

Intenção do BC ao ofertar dólares à vista é elevar a disponibilidade de moeda no mercado financeiro

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2019 | 14h29

BRASÍLIA – Após mais de dez anos, o Banco Central realizou na manhã desta quarta-feira, 21, uma operação de venda de dólares à vista a instituições do mercado financeiro. Dos US$ 550,0 milhões ofertados no leilão, no entanto, apenas US$ 200 milhões foram adquiridos pelas instituições, o equivalente a 36,4% da oferta. 

Profissionais do mercado financeiro lembraram que esta foi apenas a primeira de uma série de operações de venda de dólares que o BC pretende fazer até o dia 29 de agosto, sempre no valor de US$ 550,0 milhões. Como nesta quarta foi a primeira operação, é de se esperar certa adaptação das instituições financeiras ao certame, inclusive em relação às ofertas apresentadas ao BC. Na operação de amanhã, elas já terão como parâmetro os preços praticados hoje. 

A intenção do BC ao ofertar dólares à vista é elevar a disponibilidade de moeda no mercado financeiro. Isso porque, nos últimos meses, existe um movimento de procura por moeda à vista no Brasil, por parte de grandes empresas, para quitar dívidas no exterior. Essas empresas estão quitando dívidas lá fora e tomando crédito no Brasil, em processo de “rolagem” de compromissos.

Os US$ 200,0 milhões vendidos hoje pelo BC saem diretamente das reservas internacionais do País, e não voltam. O valor é pequeno em relação ao total das reservas, hoje na casa dos US$ 389 bilhões.

Ainda assim, o BC decidiu montar uma estratégia para evitar que, com a venda de dólares à vista, haja redução no volume de recursos disponível para que o País enfrente uma eventual crise internacional.

Simultaneamente ao leilão de moeda à vista, o BC promoveu um leilão de swap cambial reverso – cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Neste leilão, foi vendido hoje o mesmo montante da operação de dólar à vista (US$ 200,0 milhões).

A diferença entre a oferta total (US$ 550,0 milhões) e a venda efetivada no leilão de moeda à vista (US$ 200,0 milhões) foi de US$ 350,0 milhões. Este montante foi ofertado pelo BC em nova operação, desta vez de swap cambial tradicional – cujo efeito é equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

Ao fazer as três operações – venda de dólar à vista, swap reverso e swap tradicional – o BC viu as reservas internacionais diminuírem em US$ 200,0 milhões, mas sua posição em contratos de swap também foi reduzida no mesmo montante. O saldo disso é que a posição cambial líquida do BC – que leva em conta as reservas, mas também as operações com swaps – não mudou. Até o dia 9 de agosto, a posição cambial líquida do BC estava em US$ 328,6 bilhões. Este é o valor que, na prática, o País tem à disposição para emergências. É o verdadeiro “seguro” contra crises externas e é menor que o montante das reservas internacionais justamente porque considera os swaps. 

Na próxima quinta-feira, 22, o BC promoverá nova operação de venda de dólar à vista, com oferta de US$ 550,0 milhões, combinada com operação de swap cambial reverso. As condições serão conhecidas na noite de hoje. 

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