Dida Sampaio/ Estadão
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BC vende US$ 3 bilhões de reservas para tentar conter alta do dólar

Moeda americana encostou em R$ 4,80 na manhã desta segunda-feira em meio a uma crise no petróleo, que chegou a cair 30%; à tarde, outro leilão de dólares foi realizado

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 09h37
Atualizado 09 de março de 2020 | 16h07

BRASÍLIA - O Banco Central anunciou nesta segunda-feira, 9, que vendeu US$ 3 bilhões à vista das reservas internacionais para tentar conter a disparada do dólar com o tombo no preço do petróleo. A moeda americana chegou a encostar em R$ 4,80.

No início da manhã, o BC cancelou o leilão de US$ 1 bilhão que faria e aumentou o valor para US$ 3 bilhões. A decisão pelo aumento do volume leiloado se deu por "condições do mercado", de acordo com a assessoria de imprensa do BC.

O BC decidiu ampliar o uso das ferramentas de intervenção no mercado de câmbio, após a venda de US$ 5 bilhões em swaps cambiais (que equivale à venda de dólar no mercado futuro) não ter impedido o dólar de bater recordes seguidos em meio à crescente desconfiança do mercado com a postura da autoridade monetária diante da pressão cambial.

À tarde, o BC vendeu mais US$ 465 milhões em novo leilão de dólares à vista, o que amenizou o ritmo de alta. Às 16h05, a moeda americana era cotada a R$ 4,7395, com alta de 2,28%.

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Desde 20 de dezembro do ano passado o BC não realizava esse tipo de operação - retomada em agosto de 2019 e que há uma década não era utilizada.

Na sexta-feira, a moeda teve um pequeno alívio após 12 altas seguidas, e fechou em queda de 0,36%, a R$ 4,6343, numa sessão marcada por volatilidade e nova intervenção do Banco Central. Na semana, o dólar acumulou alta de 3,42%. No ano, já subiu 15,57%.

Petróleo em queda

Os preços dos contratos do petróleo recuavam ao redor de 20% nesta segunda-feira, depois que a Arábia Saudita cortou o valor de venda do barril e indicou o início de uma guerra de preços entre os grandes produtores. Na abertura dos negócios no mercado asiático, ainda no noite de domingo (horário de Brasília). O preço do petróleo do tipo Brent chegou a recuar 31%, no maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990 e 1991).

A decisão da Arábia Saudita vem na esteira do fracasso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia sobre o volume da produção da commodity. A Rússia se opôs ao corte de produção sugeridos pela Opep para estabilizar os preços do petróleo em meio à epidemia de coronavírus, que desacelera a economia global e afeta a demanda por energia.

 

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