BC 'vigilante' é sinal de que juro ainda pode subir, avalia Schwartsman

Ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, economista afirma que ciclo de aperto monetário ainda não terminou, mas projeta longo período de estabilidade

Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 11h12

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deixa claro que o atual ciclo de aperto monetário não terminou, na avaliação do sócio-diretor da Schwartsman Associados e ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, Alexandre Schwartsman. Segundo ele, o grande destaque do documento é a volta da promessa da autoridade monetária de se manter "vigilante".

Segundo Schwartsman, a ata, divulgada nesta quinta-feira, 7, traz algumas poucas pistas de que a visão do BC sobre a economia piorou um pouco. A autoridade reconhece que os investimentos provavelmente se contraíram mais e começou a ver sinais de distensão no mercado de trabalho. Mesmo assim, a instituição afirma que precisa ver novas evidências nessa direção nos próximos meses, pois permanece preocupada com o fato de os salários estarem crescendo mais rápido do que a produtividade, aumentando assim o custo unitário da mão de obra e a persistência das pressões inflacionárias.

"Fora essa mudanças, não encontramos nada muito diferente na ata. Assim, ela seria levemente menos hawkish - termo que indica agressividade - (ou levemente mais dovish) do que a versão anterior, principalmente devido à suavização das pressões no mercado de trabalho", diz Schwartsman em relatório enviado a clientes. Logo na sequência, porém, ele cita a volta da expressão "vigilante" ao documento, que havia sido retirada a partir da ata de janeiro. No fim do ano passado, porém, a expressão era "especialmente vigilante".

Para o ex-diretor do BC, não há indícios de que o Copom já se decidiu sobre qual será seu próximo passo, apesar de ser certo que haverá um novo aumento. Após isso, o ciclo de aperto deve terminar, sendo seguido de um longo período de estabilidade. 

Mais conteúdo sobre:
Banco CentralCopomSelic

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.