Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

BC volta a acionar bateria de leilões para conter o câmbio nesta terça-feira

Com alta da moeda americana, instituição vai realizar uma operação de swap de até US$ 1 bilhão e duas vendas com recompra de até US$ 2 bilhões; tendência é que dólar abra com viés de baixa nesta terça-feira

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

28 Setembro 2015 | 22h28

A aceleração da alta do dólar no fim da tarde desta segunda-feira, sem que houvesse motivo novo para isso, fez o Banco Central anunciar novas operações de swap e de linha para amanhã. A instituição esperou os negócios fecharem para divulgar a realização de uma operação de swap de até US$ 1 bilhão e duas vendas com recompra de até US$ 2 bilhões. Ao todo, serão US$ 3 bilhões em dinheiro novo no mercado. Por isso, a tendência é de que o dólar abra com viés de baixa nesta terça-feira.

Durante a sessão desta segunda-feira, operadores citavam a possibilidade de o Banco Central voltar a intervir nos negócios, em especial durante a tarde, quando a moeda se distanciou do patamar de R$ 4,00. Operadores lembravam que especuladores que, na quinta-feira passada, haviam conduzido a moeda americana para perto dos R$ 4,25 continuavam na ativa, puxando as cotações. E isso sem que tivessem surgido notícias na área política que justificassem uma aceleração.  

Como o dólar no balcão encerrou nos R$ 4,080 (alta de 2,80%), novamente acima dos R$ 4,00, o BC aparentemente decidiu não deixar a pressão aumentar ainda mais amanhã. Por isso, anunciou os US$ 3 bilhões extras, ainda que esta terça-feira seja o penúltimo dia do mês - véspera da definição da ptax que liquidará os derivativos que vencem em outubro e, por isso, quando a disputa entre comprados e vendidos pela taxa tende a se acirrar.

Vale lembrar ainda que, na quarta-feira, quando a ptax será determinada, o BC por tradição tende a não atuar via leilões, justamente para não influenciar a disputa final pela taxa. Resta saber se, em um ambiente de alta pressão, será possível ao BC apenas observar os negócios.

Entenda. O swap cambial é uma troca oferecida pelo Banco Central aos investidores por meio da venda de contratos em leilões no mercado. No swap cambial tradicional, o Banco Central oferece ao investidor receber remuneração em juro, em troca da remuneração em dólar.

Esses contratos foram muito vendidos nas épocas de forte valorização do dólar. Como nos contratos de swap cada uma das pontas se compromete a pagar a oscilação de uma taxa, se a variação do juro for maior que a do câmbio no período de vigência do contrato, o investidor receberá mais do que precisará pagar.

Já os leilões de linha são feitos por meio da venda de moeda norte-americana no mercado à vista. Nesse caso, o BC coloca dólares no mercado, por tempo determinado, e depois recompra a moeda. Na prática, essa medida pode tirar pressão do movimento de alta do dólar.

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