BC volta a atuar no câmbio, mas dólar fecha em alta

Apesar dos leilões realizados pelo BC, moeda americana fechou o dia com alta de 0,38%, cotada a R$ 2,0960

FABRÍCIO DE CASTRO , O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h05

O Banco Central (BC) voltou a atuar ontem no mercado de câmbio, mas ainda assim o dólar fechou o dia em alta ante o real. Apesar dos leilões de venda, a moeda americana subiu 0,38%, cotada a R$ 2,0960.

Profissionais justificaram o movimento destacando o fluxo negativo de fim de ano, quando as empresas no Brasil aceleram as remessas de dinheiro ao exterior. O BC volta a atuar hoje, quando fará mais três vendas de dólar com compromisso de recompra.

Durante os negócios, quando o dólar se aproximou da marca de R$ 2,10, operadores do mercado de câmbio começaram a especular sobre a possibilidade do BC voltar a oferecer os chamados swaps cambiais, que equivalem a venda de dólares no mercado futuro.

"O leilão de venda com recompra é paliativo, não tem o mesmo efeito de um leilão à vista ou de swap, porque o prazo dele é muito curto", comentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, de Curitiba. Na prática, como existe o compromisso de recompra em prazo muito curto, o efeito imediato sobre o câmbio é menor.

Leilões. Nos leilões de ontem, o BC vendeu a moeda norte-americana com compromisso de recompra em 18 de janeiro a R$ 2,0975 e em 19 de fevereiro a R$ 2,1066. Como o BC fixou em R$ 2,0889 a taxa de câmbio para venda da moeda nesses leilões, os valores para recompra embutem altas de 0,41% até 18 de janeiro e de 0,85% até 19 de fevereiro.

Apesar de alguns profissionais esperarem atuações mais efetivas do BC, caso o dólar superasse os R$ 2,10, a autoridade monetária optou por anunciar novos leilões com compromisso de recompra. A oferta será de até US$ 1,5 bilhão, distribuídos entre três operações.

Para Luiz Carlos Baldan, diretor da Fourtrade Corretora de Câmbio, a alta de hoje do dólar ante o real está ligada principalmente ao fluxo de saídas para o exterior. "Esta é, praticamente, a última semana em que teremos fluxo. Na semana que vem, muitas empresas estão fechadas e o movimento diminui", comentou o profissional. "Hoje, a alta ocorreu em função do fluxo de mercado mesmo, de saídas de dólares para o exterior."

Bolsa. A Bovespa terminou o pregão de ontem praticamente estável, apesar de o mercado norte-americano ter dado uma trégua no pessimismo. Depois de passar toda a tarde em leve alta, nos últimos minutos, o principal índice da Bolsa virou para o negativo, com a acentuação da queda das ações de Petrobrás e OGX. A Bolsa encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,06%, aos 59.566,52 pontos.

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