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BC volta a atuar no mercado e dólar sobe

Estimativas apontam compra de US$ 100 milhões pela instituição

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

O Banco Central (BC) voltou a comprar dólares ontem, na terceira intervenção seguida desde sexta-feira. Mas, ao contrário dos outros dias, em que as operações ocorreram quando a cotação estava em queda, ontem a ação ocorreu enquanto o preço da moeda subia. A atuação do BC no fim da tarde ajudou o dólar a fechar em alta de 0,53%, a R$ 2,07. Pelas estimativas das mesas de câmbio, teriam sido adquiridos cerca de US$ 100 milhões, mesmo montante de segunda-feira.A terça-feira começou exatamente como nos dias anteriores: com queda do dólar. Logo nos primeiros negócios, a moeda caiu para a mínima do dia, a R$ 2,049. Operadores explicam que esse preço - abaixo de R$ 2,05 - deflagrou várias ordens, o que inverteu a mão do mercado. Essa pressão compradora foi provocada pelas ordens automáticas programadas por investidores e empresas interessados na moeda. Nesse tipo de operação, programa-se a compra ou venda para o caso de a cotação operar abaixo ou acima de determinado valor. Mesmo com a alta, o BC voltou ao mercado. Às 15h34, começou o leilão de dez minutos em que a moeda foi adquirida por R$ 2,0678. O preço pago pela autoridade monetária foi 0,34% maior que no leilão do dia anterior. A valorização de ontem, porém, foi insuficiente para inverter a trajetória do dólar, que acumula queda de 5,39% no mês. Em sete dias úteis, a cotação recuou R$ 0,11.A intervenção no momento de alta não surpreendeu o mercado. "A maior prova de que não houve surpresa é que as cotações não mudaram muito após a operação", diz o gerente de câmbio da Liquidez Corretora, Mário Paiva.Nas mesas de câmbio, a intervenção foi entendida como um recado para reafirmar que as compras não têm relação com a tentativa de se estabelecer um nível para as cotações. "Foi um balde de água fria naqueles que apostavam que o BC queria um piso para o dólar", diz um operador. Segundo o BC, as atuações servem para corrigir excessos de liquidez e recompor as reservas, que estão em US$ 202,1 bilhões. Ontem, o segundo objetivo parece ter prevalecido. Operadores também acreditam que o BC age para manter o câmbio constante porque grandes oscilações atrapalham o fechamento de negócios.O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse ontem que um dólar abaixo do nível atual pode prejudicar as exportações. "Não é bom que abaixe mais que o nível que está hoje", disse ele, após audiência na Câmara dos Deputados.Não é essa a avaliação do diretor de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca, que foi ontem ao Ministério da Fazenda. Segundo ele, a combinação de câmbio alto com preços internacionais baixos, numa economia de juros elevados, é "um desastre". "É uma situação dramática."COLABORARAM FABIO GRANER E ISABEL SOBRAL

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