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BC volta a reduzir juro em 0,5 ponto

Em decisão unânime e na expectativa de queda da inflação, Copom corta Selic para 11,5% ao ano, menor índice desde janeiro deste ano

FERNANDO NAKAGAWA , IURI DANTAS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h05

O Banco Central cortou o juro básico da economia ontem pela segunda vez seguida e deixou claro que trabalha para evitar que a crise global provoque retração da economia brasileira. Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu a dose de agosto e diminuiu a Selic em 0,5 ponto, para 11,5% ao ano, o menor nível desde janeiro.

Mesmo com a inflação acima do limite autorizado pelo governo, no acumulado em 12 meses, os diretores do BC calculam que os índices de preços devem cair, pelo menos, 2 pontos porcentuais nos próximos meses.

A análise tem o respaldo do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda. Para o governo, essa queda deve acontecer porque o Brasil vai crescer menos este ano e a crise nos países mais ricos reduzirá os preços de produtos básicos como petróleo, soja e milho. Tudo isso abriria espaço para juros menores.

No comunicado divulgado após a decisão, os diretores do BC avaliam que o corte foi "moderado" e "é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

Ao contrário da surpresa vista em agosto, a decisão de ontem era esperada: a aposta foi consolidada entre os analistas desde o início do mês, quando o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, defendeu reduções "moderadas" do juro como em agosto. Desde a última reunião do Copom, economistas passaram por um gradual processo de compreensão do chamado "novo BC" dirigido por Tombini.

Ao longo de 49 dias, o mercado entendeu que o BC no governo Dilma Rousseff trabalha com ousadia ao aceitar um pouco mais de inflação para não prejudicar a atividade econômica. Ciente do novo perfil, o mercado entendeu como o BC encara o quadro econômico e acredita que os cortes continuarão até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2012.

Na conta. Na avaliação do Planalto, a volatilidade dos indicadores da economia mundial já "estava na conta" do Banco Central. Em conversas com a presidente Dilma, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e Tombini discutiram cenários sobre a crise e chegaram à conclusão de que não havia deterioração significativa que justificasse um corte acima de 0,5 ponto ontem.

Para os próximos meses, já começam a ser ouvidas previsões de que o BC pode aumentar o tamanho das reduções da Selic. Essa aposta ganhou força especialmente após a divulgação de um indicador do próprio BC, que mostrou retração de 0,53% na atividade econômica em agosto. O desempenho foi pior que a previsão de estabilidade da maioria dos economistas.

Outros fatos recentes reforçaram o pessimismo: queda da confiança de empresários, o mais fraco setembro para a geração de emprego desde 2006 e o início de programas de demissão voluntária em algumas empresas. Ou seja, a economia estaria pior que o imaginado.

Por isso, pode ganhar força a previsão de um BC mais ousado em novembro. O HSBC, por exemplo, acredita que os últimos indicadores econômicos já respaldam um corte de 0,75 ponto na reunião do Copom dos dias 29 e 30 do próximo mês, o último encontro do comitê em 2011.

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