BC volta a subir o juro após quase dois anos; Selic vai a 7,5% ao ano

Comitê de Política Monetária elevou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual; decisão não foi unânime

Economia & Negócios,

17 de abril de 2013 | 20h04

 

SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou o juro básico da economia em 0,25 ponto porcentual, para 7,5% ao ano, encerrando um período de quase dois anos sem elevação. A decisão não foi unânime: seis dos integrantes do colegiado votaram a favor da alta e dois votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano.

No comunicado (veja a íntegra abaixo), o Copom justifica a decisão pelo "nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços". O colegiado avalia que esses fatores "contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária". O Copom, contudo, fala em cautela para administração da política monetária, em função "das incertezas internas e, principalmente, externas".

Em julho de 2011 a Selic teve o seu último aumento, passando de 12,25% para 12,50%. Desde então, o BC vinha reduzindo ou mantendo a taxa, a qual remunera os títulos públicos federais e é referência para os investimentos em renda fixa. A Selic também afeta o custo do crédito para empresas e consumidores.

O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 28 e 29 de maio. A ata da reunião desta quarta-feira será apresentada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 25.

Em março, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bateu em 6,59% em 12 meses, furando o teto da meta de 6,50%, o que reforçou a pressão de economistas e do mercado para que o BC elevasse os juros. Nos últimos dias, as apostas se intensificaram no mercado financeiro após as declarações do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O presidente do BC, em evento no Rio neste mês, declarou que "não há nem haverá tolerância com a inflação". "Estamos neste momento monitorando atentamente todos os indicadores e, obviamente, no futuro, vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária", afirmou. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, em entrevista exclusiva ao Broadcast que, se for preciso elevar os juros, "não é um necessário um tiro de canhão, pode ser de metralhadora".

E a presidente Dilma endossou o coro nesta segunda-feira. "Não fazemos concessão à inflação e sempre combatemos e combateremos a inflação, principalmente pelo mal que causa para trabalhadores e empresários. Corrói as rendas. Não abriremos mão desse controle", afirmou, durante seminário sobre os dez anos de governo do PT no País.

Confira a íntegra do comunicado:

O Copom decidiu elevar a taxa Selic para 7,50% a.a., sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a.

O Comitê avalia que o nível elevado da inflação e a dispersão de aumentos de preços, entre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência e ensejam uma resposta da política monetária. Por outro lado, o Copom pondera que incertezas internas e, principalmente, externas cercam o cenário prospectivo para a inflação e recomendam que a política monetária seja administrada com cautela.

Votaram pela elevação da taxa Selic para 7,50% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Votaram pela manutenção da taxa Selic em 7,25% a.a. os seguintes membros do Comitê: Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.

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