BCE: 25 bancos foram reprovados em teste de estresse

Vinte e cinco bancos da zona do euro foram reprovado em exames que visavam avaliar a capacidade das instituições de resistir a uma nova crise econômica, afirmou o Banco Central Europeu (BCE) neste domingo. Essas instituições ficaram aquém dos níveis mínimos de capital exigidos, com um déficit total de 25 bilhões de euros (US$ 31,68 bilhões)

AE, Estadão Conteúdo

26 de outubro de 2014 | 10h42

O número de reprovações e a profundidade do déficit de capital acumulado foram um pouco maior do que as previsões de analistas e investidores. Os "testes de estresse" do BCE contaram com 130 dos principais bancos do continente.

O BCE disse que os bancos que não foram aprovados tomaram medidas neste ano para aumentar substancialmente as suas reservas de capital. Doze dos 25 bancos reprovados já cobriram os seus déficits de capital, elevando um total de 15 bilhões de euros em 2014.

Nenhum grande banco foi reprovado nos testes. Os resultados negativos se concentraram entre os bancos italianos (nove reprovações), gregos (três reprovações) e cipriotas (três reprovações). Os bancos italianos tiveram o maior total bruto em ajustes em termos de euros, enquanto os bancos gregos tiveram maiores ajustes em termos porcentuais. Entre as maiores instituições que não obtiveram a aprovação estava o Banca Monte dei Paschi di Siena SpA, o terceiro maior banco em empréstimos da Itália.

Os bancos que receberam notas baixas e que não fecharam seus déficits de capital têm agora duas semanas para explicar aos reguladores como eles planejam superar a falta de capital.

Como parte do exercício, o BCE também analisou a qualidade dos ativos dos bancos para determinar se eles foram avaliados com precisão. Esse processo forçou os bancos a reduzirem o valor de seus ativos em um total de 48 bilhões de euros, disse o BCE. O banco central também identificou um total de 136 bilhões de euros em ativos problemáticos, conhecidos como exposições inadimplentes, nos balanços dos bancos da zona do euro.

O processo de teste, que durou um ano, representa a tentativa mais recente dos dirigentes europeus para aumentar a confiança no setor bancário do continente, que foi abalada pela crise financeira global e, em seguida, pela crise da dívida soberana da Europa.

As versões anteriores dos testes de estresse, em 2010 e 2011, foram amplamente criticadas por causa de problemas computacionais e resgates posteriores de bancos que receberam notas de aprovação. Como parte disso, a crise financeira da Europa se arrastou por muito mais tempo do que nos EUA, que rapidamente recapitalizou seus bancos em dificuldades. Recentemente, o súbito colapso do segundo maior credor de Portugal, o Banco Espírito Santo (BES), sacudiu os mercados europeus.

Dirigentes europeus dizem que os testes deste ano são os mais rigorosos até agora. Os funcionários do BCE analisaram os balanços dos bancos, tentando avaliar se as instituições estavam precificando de maneira adequada os empréstimos e outros investimentos. Os oficiais também forçaram alguns bancos a excluir ativos problemáticos, tais como hipotecas em atraso e empréstimos corporativos.

Para passar nos testes, os bancos tinham de manter um colchão de capital de, pelo menos, 8% dos ativos ponderados pelo risco, sob um cenário em que a economia europeia se desenvolveria como esperado até 2016. Eles teriam de manter o colchão de capital em 5,5%, diante uma simulação de crise de três anos, em que a economia da União Europeia encolheria 7% abaixo das previsões atuais e o desemprego subiria para um recorde de 13%.

O BCE disse que, sob esse cenário econômico pior, os colchões de capital dos bancos foram reduzidos em 263 bilhões de euros, diminuindo a proporção de capital média em quatro pontos percentuais, para 8,3%. Fonte: Dow Jones Newswires.

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