BCE: bancos centrais devem manter independência

Os bancos centrais não precisam se desviar da independência e dos compromissos com a estabilidade dos preços em meio às tentativas de controlar a crise soberana da zona do euro, afirmou neste sábado o membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE) Christian Noyer. "Podemos ter de viver com uma combinação de elevada dívida pública e medidas monetárias não convencionais no período que está por vir", acrescentou, em introdução de relatório para o Banco da França.

FILIPE DOMINGUES, Agencia Estado

21 de abril de 2012 | 19h27

Noyer alertou no documento que, se for percebido que a política monetária perdeu sua independência e eficiência - por meio de uma indefinição na política fiscal -, isso pode ameaçar a estabilidade monetária e financeira. Ele acredita que medidas não convencionais só podem ser eficientes se as expectativas de inflação estiverem solidamente ancoradas.

"Pedidos de certos economistas e participantes do mercado por um relaxamento temporário nos objetivos de estabilidade de preços são equivocados", afirmou. Ele avalia que o BCE está "extremamente bem capitalizado" e, portanto, sua independência é protegida. "Consequentemente, dúvidas sobre a sustentabilidade financeira não podem se traduzir em uma inflação mais alta."

Grécia, Irlanda e Portugal foram ajudados pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) quando não puderam pagar suas dívidas, e a ansiedade sobre se Espanha e Itália têm condições de se autofinanciar no mercado de títulos os forçou a elevar os custos de empréstimos "acima dos níveis que podem ser sustentados", de acordo com a agência de classificação de risco Moody''s. As informações são da Dow Jones.

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