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BCE decide manter juro em 2%, em linha com previsões

Presidente do Banco Central reforça, porém, que 2% não é o piso da taxa, que ainda pode cair mais

Nathália Ferreira e Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

05 de fevereiro de 2009 | 11h04

O Banco Central Europeu decidiu manter a taxa básica de juro (taxa de refinanciamento) em 2,0%, em decisão amplamente esperada por economistas. Desde outubro, o BCE já cortou a taxa em 2,25 pontos porcentuais.   Veja também: BC britânico reduz juro para novo recorde de baixa De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, disse que a política monetária da instituição é apropriada para garantir a estabilidade dos preços, mas alertou que a atividade econômica perdeu força devido à intensificação da turbulência nos mercados financeiros.   Ele acrescentou que os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de diversos países da zona do euro "foram muito negativos" no quarto trimestre e que a expectativa é de "persistência da fraqueza" nos próximos trimestres.   Trichet disse que "2% não é um piso" e que há espaço para queda das taxas de juro na zona do euro. Os bancos centrais do Reino Unido, da República Tcheca e da África do Sul, que também divulgaram decisões sobre a política monetária nesta quinta, cortaram as taxas básicas de juros.   Segundo Trichet, a demanda por exportações está caindo rapidamente e há risco de mais desaquecimento na economia. Além disso, as condições financeiras nos 16 países da zona do euro estão apertadas, acrescentou.   Inflação deve subir   Apesar de reforçar que a política do banco central está alinhada com as metas de inflação no médio prazo, Trichet abandonou o tradicional comentário de que o risco à estabilidade dos preços estava equilibrado. O presidente do BCE afirmou que a taxa de inflação está caindo rapidamente, mas deve subir ainda neste ano. Ele acrescentou que o BCE está "monitorando muito atentamente" todos os movimentos do mercado.   No mês passado, Trichet disse que o BCE terá uma reunião importante em março, comentário que foi interpretado pela maior parte dos analistas como um sinal de que haverá corte na taxa de juro.   As referências do presidente do BCE ao declínio nas exportações, assim como ao horizonte de fraqueza na atividade econômica, "estão claramente abrindo o caminho para um corte de juros em março", afirmou Aurelio Maccario, economista-chefe para a zona do euro do Unicredit em Milão.   Trichet comentou também que os dados sobre a oferta de empréstimos indicam contração e devem continuar seguindo esta tendência nos próximos meses. Para Maccario, o fato de o BCE reconhecer este declínio também contribui para a expectativa de afrouxamento da política monetária.   Apesar de não ter esclarecido se o BCE poderia seguir o Federal Reserve e adotar políticas monetárias pouco ortodoxas, como o afrouxamento quantitativo, Trichet mostrou que há receptividade. "Não excluímos nada em termos de medidas fora do padrão."   Ele acrescentou que uma taxa de juro zero, como a do Federal Reserve, não seria apropriada para a zona do euro e que é possível aplicar medidas pouco usuais com as taxas acima deste nível. "Há uma série de desvantagens" com a taxa de juro zero e "no momento, devemos tentar evitá-las", afirmou.

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