BCE já gastou 26 bi em dívidas de países do euro

O Banco Central Europeu já gastou em 15 dias mais de 26 bilhões na compra de títulos da dívida dos países da zona do euro. Mas analistas alertam que o volume ainda é pequeno para estabilizar a moeda única.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

Um relatório tornado público ontem pelo Royal Bank of Scotland indica que bancos europeus, seguradoras e outras instituições tem uma exposição de 2 trilhões em papéis da dívida pública e em papéis de empresas dos países da periferia endividada da Europa.

A periferia da zona do euro enfrenta uma crise sem precedentes desde a criação da moeda única diante da dívida acumulada. O que muitos temem é que o default de algum governo ou a quebra de bancos e empresas em países como Portugal, Espanha, Grécia ou Irlanda acabem tendo um impacto profundo para toda a região.

Contaminação. A exposição de bancos a essas economias endividadas representaria 22% do PIB total da zona do euro. Esse volume de exposição indicaria a necessidade de uma ação de maior peso por parte do BCE na compra de papéis e, assim, evitar uma contaminação generalizada da crise.

O alerta do mercado é de que o BCE não está usando seu arsenal para garantir a estabilidade do euro, que ontem voltou a cair diante das notícias sobre a situação de bancos na Espanha e do corte de gastos públicos no Reino Unido.

Na semana passada, a compra de títulos foi de 10 bilhões ante cerca de 16,5 bilhões na semana anterior.

A ação do BCE teria como função tranquilizar os mercados e garantir a manutenção do valor dos papéis da dívida soberana de membros da zona do euro, como Grécia, Portugal e Espanha.

Para compensar suas ações, o BCE fará hoje um leilão para retirar liquidez do mercado e evitar uma pressão sobre a inflação.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, que por anos foi contra a compra de papéis da dívida pelo banco central, ontem voltou a defender a medida e garantiu que o BCE está tomando as ações necessárias para evitar a volta da inflação.

Alemanha contra. Em Berlim, o governo da chanceler Angela Merkel já deixou claro que é contra a compra de papéis da dívida diante do risco que pode gerar para a volta da inflação na região já afetada por um crescimento frágil. / J.C.

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