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BCE libera 489 bilhões para bancos europeus, mas não restaura confiança

Megaempréstimo supera estimativas de analistas, mas investidores temem que não seja suficiente para amenizar a crise da zona do euro

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h05

Uma das esperanças de solução da crise das dívidas soberanas na Europa, a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) não trouxe mais segurança, e sim mais dúvidas aos mercados. A autoridade monetária da zona do euro emprestou ontem a 523 bancos do bloco € 489 bilhões, com prazo de reembolso de três anos e juro subsidiado de 1% ao ano. O montante foi superior ao projetado por analistas.

Justamente por isso, a estratégia, que visa a estimular os bancos a adquirir papéis de países em crise e a conceder mais crédito, não convenceu os investidores. Os resultados mostraram um novo recorde para esse tipo de operação, superando os € 442 bilhões emprestados em 2009. As previsões variavam entre 290 bilhões e 310 bilhões.

Segundo a agência Reuters, só os bancos italianos teriam obtido cerca de € 110 bilhões, dos quais € 49 bilhões para o Unicredit e para a Intesa Sanpaolo.

O total emprestado na primeira operação - uma nova será realizada em fevereiro - satisfez os mercados em um primeiro momento, porque analistas consideravam que qualquer número acima de € 200 bilhões representaria que a estratégia havia sido bem sucedida.

Nas principais praças financeiras, a reação foi positiva até o meio-dia: em Frankfurt, o índice DAX subia 1,22%, enquanto em Paris e Londres o CAC 40 e o FTSE ganhavam 0,81% e 0,76%, respectivamente.

Ações de bancos, que vinham sendo castigadas ao longo do ano, subiam perto de 4%, porque a intervenção do BCE significava, em tese, que o sistema financeiro automaticamente se voltaria ao mercado de obrigações soberanas, lucrando com títulos de dívidas cujos juros beiram os 7% ao ano. A maior procura pelas obrigações dos Estados causaria, então, a queda no custo de financiamento público, reduzindo a pressão sobre economias em crise, como Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália.

Especialistas consultados sobre o tema se mostraram otimistas. Para Jean-François Robin, analista do banco Natixis, o BCE mostrou aos investidores a bazuca com que pode combater a crise. "Não é o fim da crise, mas um enorme alívio para o refinanciamento no ano que vem."

Reversão. O clima de otimismo, entretanto, se inverteu com a abertura da Bolsa de Nova York, onde os investidores advertiram que os recursos podem não ser usados pelo sistema financeiro para refinanciar os Estados, mas para apagar o incêndio em seus próprios balanços.

Em 2012, os bancos da Europa terão de aumentar suas reservas em razão do acordo de Basileia 3, que impõe maiores exigências de capitais próprios, além de ter de reembolsar € 230 bilhões em obrigações no primeiro trimestre do ano que vem. A análise mais cética nos Estados Unidos inverteu a expectativa e causou a queda nas bolsas no fim do dia. Londres caiu 0,55%, Paris, 0,82%, e Frankfurt, 0,95%.

Nem mesmo o anúncio feito pelo primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, de que participará do programa de empréstimos bilaterais da União Europeia ao Fundo Monetário Internacional (FMI), reanimou os investidores. Stoltenberg se comprometeu a emprestar à instituição € 7 bilhões, valor que se soma aos € 150 bilhões já reunidos pelos 17 países da zona do euro, liderados por Alemanha e pela França.

"Vamos fazê-lo porque é do nosso interesse restaurar a ordem da economia internacional, para sair da crise na qual estamos atualmente", justificou.

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