Daniel Roland/AFP
Daniel Roland/AFP

BCE mantém taxas de juros inalteradas

Presidente da autoridade monetária decepcionou os mercados ao sinalizar que novas medidas de estímulo à economia da zona do euro só serão decididas no começo de 2015 

Agência Estado - Atualizado às 15h50

04 Dezembro 2014 | 11h12

O Banco Central Europeu (BCE) manteve suas três principais taxas de juros inalteradas na reunião de política monetária que se encerrou nesta quinta-feira, 5.

Desta forma, a taxa básica, de refinanciamento, continua na mínima histórica de 0,05%, a taxa de juros de empréstimo marginal permanece em 0,30% e a taxa para depósitos bancários, em -0,20%.

Em coletiva de imprensa, o presidente do BCE, Mario Draghi, informou que a autoridade monetária revisou para baixo as estimativas de crescimento da zona do euro em 2014, 2015 e 2016. A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) da região tenha expansão de 0,8% em 2014 (ante previsão anterior de 0,9%), 1,0% em 2015 (ante previsão anterior de 1,6%) e 1,5% em 2016 (ante previsão anterior de 1,9%).

As projeções para inflação também sofreram alteração para baixo, refletindo o impacto da perspectiva de menor crescimento econômico e da queda no preço do petróleo. A autoridade monetária, entretanto, destaca que as estimativas ainda não incorporaram as retrações das últimas semanas no petróleo. "Ao longo dos próximos meses, a inflação anual poderá apresentar novas revisões para baixo, dados os recentes declínios nos preços do petróleo", disse Draghi.

Para 2014, a estimativa de 0,6% de inflação foi reduzida a 0,5%, enquanto para 2015 caiu de 1,1% para 0,7% e, em 2016, baixou de 1,4% para 1,3%.

O presidente do BCE destacou que a autoridade monetária continuará monitorando de perto os riscos decorrentes da variação do petróleo. "Estaremos particularmente vigilantes quanto ao impacto mais amplo da evolução recente dos preços do petróleo sobre as tendências de inflação a médio prazo na área do euro", comentou.

Estímulos à economia. Draghi decepcionou os mercados ao sinalizar que novas medidas de estímulo à economia da zona do euro só serão decididas no começo de 2015.  Em reação à declaração do presidente do BCE, investidores venderam bônus dos governos dos países da zona do euro e buscaram a segurança nos títulos americanos (Treasuries). 

"Draghi colocou alguma pressão sobre os ativos de mais risco e gerou uma demanda modesta por títulos do Tesouro dos EUA. Alguns investidores tinham a expectativa de que Draghi fosse mais agressivo hoje", comentou o estrategista Ian Lyngen, do CRT Capital Group.  

Traders disseram que a alta dos preços dos Treasuries não foi mais pronunciada porque o mercado está na expectativa da divulgação dos dados do nível de emprego nos EUA em novembro, nesta sexta-feira.  

Dois dados sobre o nível de emprego foram divulgados nesta quinta-feira: o Departamento do Trabalho informou que o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana passada ficou em 297 mil, com queda de 17 mil em relação à semana anterior; economistas previam 295 mil. Já a Challenger, Gray & Christmas informou que o número de demissões anunciadas por grandes empresas norte-americanas ficou em 35.940 em novembro, com queda de 29,8% em relação a outubro e queda de 20,7% em comparação com novembro do ano passado; o número acumulado de demissões anunciadas neste ano elevou-se a 450.531. 

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