BCE mantém taxas de juros inalteradas na zona do euro

O Banco Central Europeu (BCE) se reuniu hoje para debater a política monetária da zona do euro e manteve inalterada a taxa de juros em 2%, seu nível mais baixo historicamente, como esperavam os analistas. A decisão confirmou a expectativa dos especialistas de que a entidade não elevaria as taxas de juros da eurozona por enquanto. Mas a alteração pode vir em breve, devido ao crescimento da massa monetária e à alta da inflação.Os especialistas já descartavam qualquer mudança hoje porque a entidade não se arriscaria a interromper a recuperação econômica da zona com uma decisão precipitada. A maioria dos observadores prevê uma elevação das taxas de juros no primeiro trimestre de 2006, mas o andamento de alguns índices macroeconômicos pode antecipar a mudança para dezembro.Cenários decisivosUm dos fatores determinantes para o comportamento dos juros na zona do euro é a taxa de inflação. O nível atual gerou questionamentos sobre a política do banco, que busca a estabilidade de preços. Segundo o BCE, os preços da zona do euro se mantêm estáveis quando a inflação fica "abaixo, mas próxima de 2%". Em outubro, a taxa alcançou 2,5%, em comparação com esse mês de 2004, apontou o escritório de estatística européia Eurostat.Os últimos indicadores conjunturais de alguns países da União Econômica e Monetária (UEM) demonstram uma melhora no clima empresarial e na confiança dos consumidores e da indústria. Até agora, o BCE insistiu que a taxa de juros atual de 2,0% incentiva o crescimento econômico da área e preserva a estabilidade de preços.No entanto, os membros do principal órgão executivo do BCE endureceram o tom de seus discursos recentemente. O economista-chefe do banco, Otmar Issing, ressaltou a "extrema" vigilância da entidade e defendeu a política da entidade das acusações de críticos, que tacharam de "supérflua" ou pouco clara a informação divulgada pelo banco.Já o presidente do Bundesbank e membro do conselho de Governo do BCE, Axel Weber, afirmou semana passada que, caso se perceba riscos para os preços a médio prazo, "deveremos controlá-los com decisões de política monetária".Caso o BCE considere que existem as pressões inflacionárias persistentes, o aumento da taxa de juros pode acontecer antes do esperado. Por isso, os mercados darão muita atenção às previsões de inflação e crescimento que o BCE publicará em dezembro, já que podem deixar brechas para prever futuras decisões.

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