François Lenoir/Reuters
François Lenoir/Reuters

BCE pode alterar programa de estímulos à zona do euro

Banco manteve inalterados o plano de compra mensal de ativos e as taxas básicas de juros no bloco; entretanto, o presidente da instituição, Mario Draghi, afirmou que estímulos podem ser estendidos além do fim do programa, em setembro de 2016

O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 12h00

O Banco Central Europeu (BCE) informou nesta quinta-feira, 3, que manterá seu limite do programa de compra mensal de ativos em € 60 bilhões de euros, mas que aumentou o montante de qualquer emissão única que poderia comprar para 33%, diferente dos 25% estabelecidos anteriormente. 

O BCE também manteve as taxas básicas de juros inalteradas em mínimas históricas. A taxa de refinanciamento, que é a referência na zona do euro, permaneceu em 0,05%, como está desde setembro do ano passado. Já a taxa sobre depósitos continuou em -0,2%. A instituição anunciou ainda que revisou suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação na zona do euro. 

O presidente do BCE, Mario Draghi, também repetiu a promessa de alterar o programa se necessário. O chefe do órgão disse que o plano (conhecido como QE, na sigla em inglês) será implementado totalmente até o final de setembro de 2016 - quando termina o prazo - ou além deste período, se necessário, "até que vejamos uma melhora sustentada no caminho da inflação, consistente com o nosso objetivo de alcançar a taxa próxima de 2% no médio prazo", disse em uma coletiva de imprensa.

"A implementação das compras de ativos estão seguindo tranquilamente", afirmou Draghi, acrescentando que todas as informações relevantes adiante serão monitoradas.

O presidente do BCE se mostrou preocupado com a inflação. "Dados indicam aumento menor na inflação do que o esperado anteriormente e a taxa de inflação anual permanecerá muito baixa no curto prazo", disse.

"A informação disponível indica uma continuação, embora um pouco mais fraca da recuperação econômica e um aumento mais lento das taxas de inflação em comparação com as expectativas anteriores. Mais recentemente, os riscos descendentes renovados surgiram para as perspectivas de crescimento e inflação. O aumento da inflação pode ocorrer de forma mais lenta do que o previsto", acrescentou. 

O BCE tem comprado € 60 bilhões por mês em ativos - a maioria títulos governamentais - desde março e planeja continuar fazendo isso ao menos até setembro de 2016, em uma tentativa de levar a inflação de volta para sua meta de quase 2%.

Projeções. Draghi informou que a equipe do BCE reduziu suas projeções para o PIB e a inflação na zona do euro. O presidente da instituição disse ainda que há o risco de deflação nos próximos meses na região da moeda comum.

O BCE reduziu a projeção de avanço do PIB em 2015 para 1,4%, de 1,5% esperado em junho. Em relação ao ano de 2016, o corte na previsão do PIB foi de 1,9% para 1,7% e, em 2017, de 2,0% para 1,8%, na mesma comparação com as projeções de junho. No caso do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) harmonizado para a zona do euro, a projeção para 2015 caiu de 0,3% (junho) para 0,1%, a de 2016 caiu de 1,5% para 1,1% e a de 2017 foi de 1,8% para 1,7%. A data de corte para as projeções foi 12 de agosto, segundo Draghi. 

"A queda do petróleo foi a principal razão para a revisão das projeções do BCE", disse o presidente do BCE, que evitou entrar em detalhes com relação à China e comentou apenas que a instituição está observando de perto os sinais de enfraquecimento da economia do país. O pessimismo expressado por Draghi foi entendido como sinal de que o BCE está disposto a ampliar os estímulos econômicos. (Com informações da Agência Estado, da Reuters e da Dow Jones Newswires).

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