BCE pode assumir perdas em 2a reestruturação de dívida grega

Autoridades europeias estão trabalhando em opções de "última chance" para diminuir a dívida grega e manter o país na zona do euro, com o Banco Central Europeu (BCE) e os bancos centrais nacionais considerando aceitar perdas significativas no valor de suas carteiras de títulos, afirmaram autoridades.

JAN STRU, Reuters

27 de julho de 2012 | 11h05

Credores privados já sofreram grandes perdas em seus títulos gregos com o segundo resgate a Atenas fechado em fevereiro, mas isso não foi suficiente para colocar o país de volta no caminho da solvência e mais reestruturação está entre as opções.

O objetivo final é reduzir as dívidas da Grécia em mais de 70 bilhões a 100 bilhões de euros, disseram à Reuters várias autoridades da zona do euro próximas às discussões, reduzindo as dívidas para um nível mais maleável de 100 por cento da produção econômica anual.

Isso exigiria que o Banco Central Europeu (BCE) e bancos centrais europeus assumam perdas em suas carteiras de títulos do governo grego, e também pode envolver aceitação de perdas por governos nacionais.

A opção preferida é de que o BCE e BCs nacionais carreguem o custo, mas isso poderia significar que alguns bancos e o próprio BCE terão que ser recapitalizados, disseram as autoridades.

O BCE recusou-se a comentar a situação nesta sexta-feira.

O planejamento está nos estágios iniciais e nenhuma discussão formal aconteceu ainda. Mas existe uma consciência de que a Grécia está bem fora dos trilhos no processo de melhorar suas finanças e que uma ação agressiva é necessária para manter o país dentro da zona do euro.

Autoridades descreveram uma nova reestruturação da dívida grega como última chance para restaurar a solvência do país, com a meta acordada de reduzir a dívida para 120 por cento do PIB até 2020 já vista como longo de ser alcançada.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) é a favor de uma revisão dos empréstimos a Atenas, um processo ao qual autoridades se referem como "OSI" (na sigla em inglês), ou envolvimento do setor oficial.

"Se fosse para eu determinar uma chance percentual de OSI na Grécia acontecer, diria 70 por cento", disse uma das autoridades envolvidas nas deliberações.

OPÇÃO de 30%

Uma das opções que estão sendo trabalhadas envolveria o BCE e os BCs nacionais aceitando perdas no valor dos títulos do governo grego que detêm em 30 por cento, segundo um processo que banqueiros se referem como "haircut".

Os créditos totais do setor oficial à Grécia, que também incluem empréstimos bilaterais estendidos à Grécia por governos da zona do euro, é de cerca de 220 a 230 bilhões de euros.

Uma perda de 30 por cento portanto equivaleria a pouco mais de 70 bilhões de euros, disse uma autoridade. Outra calculou o valor entre 70 e 100 bilhões de euros, dependo de como o processo for realizado.

"É muito complicado e o método preciso não foi decidido ainda porque ainda está muito, muito no início", disse uma fonte.

Autoridades consideraram assumir perdas no valor dos empréstimos ao setor oficial à Grécia no ano passado, quando estavam reunindo o segundo programa de resgate da UE e do FMI, que se focou na reestruturação da dívida do setor privado da Grécia.

Mas o OSI era considerado muito sensível politicamente à época e foi descartado. Uma autoridade descreveu isso como uma oportunidade perdida e sugeriu que não deveria ser repetido.

"O grande erro foi que nós não administramos o 'haircut' dos títulos do governo grego que estavam nos portfólios de investimento dos bancos centrais nacionais. Isso foi realmente, realmente estúpido", disse uma autoridade à Reuters.

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