BCE pode estabelecer meta de yield, mas sem a publicar

O Banco Central Europeu (BCE) está avaliando estabelecer uma meta de yield para aquisições sob o novo plano de compra de títulos, mas sem divulgar os níveis, afirmaram nesta quinta-feira à Reuters fontes do banco central.

SAKARI SUONINEN E PAUL CARREL, Reuters

23 de agosto de 2012 | 08h57

Tal "meta implícita" é uma das opções sendo examinadas, mas nada será decidido antes da reunião do BCE em 6 de setembro, segundo uma fonte. Tal meta poderia ser flexível.

Outra fonte afirmou que nada será decidido antes dessa reunião, mas que não descartaria tal possibilidade.

O presidente do BCE, Mario Draghi, sinalizou no começo deste mês que o banco pode começar a comprar dívida governamental para reduzir os prejudiciais custos de empréstimo da Espanha e da Itália, comentários que alimentaram uma ampla melhora do sentimento nos mercados globais.

Estabelecer uma meta de yield específica, conhecida, poderia abrir o BCE a um debate político com governos sobre o nível apropriado para objetivar, algo que o banco central quer evitar, afirmou o ex-economista do BCE Christian Schulz, agora no Berenberg Bank.

Mas não tornar a meta pública também pode ser problemático.

"Isso é um convite aos mercados para fazerem o que você não quer que eles façam, que é vender, vender, vender para ver quando você irá intervir", disse Schulz.

"Nós acreditamos que uma meta explícita, clara, aberta seria extremamente útil. A experiência suíça mostra que se você não anuncia uma meta clara, os mercados tendem a testar qual é a meta", acrescentou ele.

Os mercados financeiros testaram a resolução do banco central da Suíça e puxaram uma valorização do franco suíço no ano passado, até que a autoridade monetária os chocou ao estabelecer um teto para a taxa de câmbio para evitar uma recessão.

O BCE está sendo forçado a assumir um papel maior na luta contra a crise da dívida da zona do euro, enquanto os governos negociam obstáculos legais e políticos para coordenar uma resposta de prazo maior, apesar de o Bundesbank, o banco central da Alemanha, querer limitar a ação do BCE.

(Reportagem de Sakari Suoninen e Paul Carrel)

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