BCE volta a descartar risco de deflação

Conselho do banco, porém, diz que se for necessário vai agir rapidamente com uma maior flexibilização da política monetária do euro

LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2014 | 02h04

O Banco Central Europeu (BCE) afirmou que não há risco de deflação na zona do euro, mas fez um alerta contra um período "muito prolongado" de baixa inflação, o que em certas ocasiões pode demandar uma resposta adicional de política monetária.

Em um suplemento ao boletim mensal regular, publicado em Frankfurt, o BCE disse que a deflação, definida como um amplo e duradouro declínio dos preços, não é uma ameaça imediata à recuperação da região. "Não há evidência da emergência de um declínio sustentável e generalizado dos preços, e as expectativas de médio e longo prazo permanecem bem ancoradas", afirmou o BCE.

O boletim reforçou que taxas negativas na variação dos preços em países individuais não são evidência de deflação na zona do euro. Para a autoridade monetária, isso é normal em uma união monetária.

O texto também lembrou que as projeções divulgadas recentemente pelo BCE estimam uma lenta mas gradual aceleração da inflação harmonizada em 2015 e 2016, embora a um ritmo ligeiramente menor do que o previsto em março. "Enquanto reformas estruturais podem inicialmente levar a pressões negativas nas taxas de inflação, também refletindo melhoras no lado da oferta da economia, pode-se esperar que a inflação vá acelerar ao longo do tempo à medida que a demanda agregada gradualmente se recupera."

Relaxamento. O membro do conselho diretor do BCE Bostjan Jazbec, que também é presidente do Banco Central da Eslovênia, afirmou que a expectativa com um iminente programa de relaxamento quantitativo ignora a necessidade de os formadores de política avaliarem como a economia evoluirá após as medidas anunciadas na última reunião de política monetária da instituição.

"Não acho que exista a possibilidade de geração de bolhas", disse Jazbec. As medidas anunciadas recentemente "abordam os problemas que pediam uma ação e acredito que as primeiras reações já estão acontecendo na direção que era percebida como a correta", acrescentou, destacando "os problemas de inflação baixa e de fornecimento de liquidez para o Sistema do Euro".

Jazbec também observou que, se necessário, o BCE tomará outras medidas. Segundo ele, "há uma série de medidas que podem ser analisadas e incorporadas".

Produção. A produção industrial da zona do euro recuperou-se com mais força do que o esperado em abril, na comparação mensal, graças à produção de energia e de bens não duráveis, segundo dados oficiais divulgados ontem, ampliando os sinais positivos de que a economia do bloco continua a crescer.

A produção nos 18 países que compartilham o euro cresceu 0,8% em abril na base mensal após queda revisada para baixo de 0,4% em março. Na comparação com o mesmo período de 2013, a produção avançou 1,4%.

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