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BCN: dólar em alta com efeito menor sobre preços

Os ganhos de produtividade obtidos pela indústria nos dois últimos anos somados à falta de uma clara noção do nível no qual o câmbio vai se estabilizar devem reduzir o repasse para preços provocado pela disparada do dólar, que já subiu cerca de 15% desde o fim de 2000. "Algum repasse da alta do dólar para preços vai existir, mas não será explosivo na inflação", prevê a economista-chefe do BCN, Ana Cristina Gonçalves da Costa.Essa avaliação, que se contrapõe a prognósticos mais pessimistas que ganharam força nas últimas semanas, baseia-se num estudo feito pela economista no qual ela constatou que, durante dois anos consecutivos, 1999 e 2000, a produtividade média da indústria superou em 5,1% e 6,1%, respectivamente, o salário nominal. Com isso, o setor teria uma espécie de "colchão" para absorver aumentos de custos.Para chegar a essa conclusão, ela calculou dois indicadores: um número-índice de produtividade industrial e um número-índice que mostra o comportamento do salário nominal. Os indicadores foram construídos a partir de dados da produção física da indústria medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do salário nominal médio contratado e do pessoal ocupado. Ana Cristina explica que o salário nominal é um importante parâmetro de contraponto à produtividade porque é um custo fundamental e comum a todos os segmentos da indústria.Outro fator que, segundo a economista do BCN, joga contra os repasses é a deflação de preços de metais e de algumas commodities importantes que está ocorrendo no mercado externo por causa da desaceleração da economia mundial.O fato de a indústria como um todo ter margem para acomodar aumentos de custos, por conta de ganhos de produtividade, não significa, segundo Ana Cristina, que não existam segmentos que enfrentem fortes pressões de insumos importados ou nacionais, porém cotados em dólar. Mas esse quadro não pode ser generalizado, diz a economista.Avaliação de técnicos do Lloyds é semelhantePara o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, o ganho de produtividade é um colchão muito bom para a indústria, porém, a tendência natural das empresas é se apropriar desses ganhos. A situação de pressão de custos, segundo ele, é hoje "menos pior" do que está sendo relatada pelos empresários. Abate argumenta, por exemplo, que muitos estoques de matérias-primas foram adquiridos com dólar a uma cotação bem inferior à atual, o que alivia, em parte, a necessidade de repasses. De toda forma, um fator fundamental que influencia o tamanho desse repasse é o ritmo de atividade e a concorrência entre os agentes econômicos. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), por exemplo, de aumentar em 0,5 ponto porcentual os juros básicos em sua última reunião, foi exatamente para quebrar as expectativas de repasses de custos para os preços, diz Abate. "O BC aumentou os juros porque a percepção de risco começou a crescer", diz Ana Cristina. Com os juros mais altos, o consumo pode continuar aumentando, porém num ritmo menor, o que faz com que os repasses de alta de custos para os preços não sejam aceitos pelo mercado.

Agencia Estado,

07 de maio de 2001 | 13h46

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