BCs da América Latina têm de cortar juros mais rápido

Os bancos centrais da América Latina estão cortando suas taxas de juros para salvar suas economias da recessão, mas alguns não estão se movendo rápido suficiente e correm o risco de sofrerem os efeitos da crise global, que se aprofunda. Bancos centrais da região começaram a cortar as taxas básicas para empréstimos este ano, uma vez que a atividade econômica, a produção industrial e as vendas no varejo caem. México, Chile e Peru têm expandido os gastos governamentais, esperando que planos de estímulo fiscal, combinados com crédito mais barato para consumidores e empresas, resolvam o problema. O Chile tem liderado na área da política monetária, reduzindo em 2,5 pontos percentuais sua taxa de juros no começo deste mês. Mas o Brasil e o México têm menos espaço de manobra e seus bancos centrais são famosos por sua cautela, determinados a evitar o retorno à hiperinflação, responsável por crises financeiras no final do século 20. A inflação está acima da meta nos dois países, então os responsáveis pela política se preocupam com que o declínio das taxas de juros possa enfraquecer mais ainda suas moedas contra o dólar, causando novas pressões inflacionárias. Além disso, eles têm atraído as críticas de alguns analistas que dizem que as duas maiores economias da região precisam de um solavanco agora em vez um alívio gradual. "É inútil distribuir relaxamento na política monetária ao longo de todo o ano quando o mais forte efeito da recessão externa será sentindo nos três primeiros meses do ano", disse Alfredo Coutino, economista sênior da Moody's Economy.com na América Latina. Esperava-se que o Banco Central do México cortasse suas taxas em meio ponto percentual nesta sexta-feira, mas o órgão foi mais cauteloso, reduzindo a taxa básica em 0,25 ponto percentual. Os bancos centrais têm espaço para mais cortes em seus juros porque as pressões inflacionárias devem continuar a diminuir, dada a queda no preço das commodities, dos alimentos e dos combustíveis. RECESSÃO A economia do México está entrando em recessão e as pressões inflacionárias começaram a ceder, mas o banco central local também tem de lutar contra o impacto da desvalorização do peso. O Brasil teve de contingenciar um quarto de seu orçamento para 2009, à medida que a economia se desacelera, a receita de impostos cai e as empresas demitem. A taxa de desemprego pulou para 8,2 por cento em janeiro. "Provavelmente, em alguns países nós podemos ver mais (estímulo fiscal), mas o problema é que não há muito financiamento para elaborar mais pacotes fiscais" disse Rodrigo Valdes, economista-chefe para América Latina do Barclays Capital Research, em Nova York. A taxa básica do banco central do Brasil, a Selic, ainda é enorme, 12,75 por cento, mesmo depois de um corte de 100 pontos básicos no mês passado, sua primeira redução em 16 meses. O Banco Central está sinalizando que deve haver mais cortes pela frente, à medida que o crescimento do Brasil diminuiu desde o aprofundamento da crise de crédito global em setembro, atingindo a produção e provocando demissões. "As autoridades no Chile e no Brasil têm se dado conta de que, ao contrário das expectativas originais, esta é um derretimento muito sério da economia global", disse Sebastian Edwards, professor de economia internacional na Anderson School of Management da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. "Tanto o Brasil quanto o Chile tinham taxas de juros muito altas no começo da crise. Trazê-las para baixo de forma drástica é a coisa apropriada a fazer, e ajudará a superar a crise ao prover liquidez adicional." (Reportagem de Simon Gardner)

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