BCs de emergentes intervêm no câmbio para conter queda de suas moedas

Movimento é mais acentuado na Ásia, onde as economias são conduzidas pelas exportações

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

23 de setembro de 2011 | 14h58

As autoridades ao redor do mundo, especialmente na Ásia onde as economias são conduzidas pelas exportações, estão realizando intervenções a fim de sustentar suas respectivas moedas em meio à louca corrida para o dólar.

Hoje, o Banco Central da Polônia interveio no câmbio para impulsionar o zloty. O movimento se segue a uma semana na qual os bancos centrais dos mercados em desenvolvimento compraram suas moedas locais para protegê-las da maior onda de vendas de ativos de mercados emergentes desde a queda do Lehman Brothers há 3 anos.

O vice-presidente do Banco Central da Rússia, Sergei Shvetsov, negou declarações dadas por traders no início do dia de que tinha alterado a banda de oscilação do rublo contra uma cesta de moeda dólar/euro, reportou a agência de notícias Prime.

O banco central não vai alterar a largura da banda de negociação, que está atualmente fixada em 5 rublos e na qual o rublo pode flutuar, disse Shvetsov. O BC russo vende moeda estrangeira no mercado para aliviar a pressão de queda sobre o rublo, quando a taxa se aproxima da extremidade inferior da banda.

O preço da cesta de moeda, composta em 55% em dólar e 45% em euros, atingiu 37,14 rublos nesta sexta-feira, levemente acima da extremidade mais baixa do corredor de 37,2 rublos.

O rublo ampliou suas perdas hoje e recuou 2,6% em relação a cesta, e 0,5% ante o dólar, para 32,16 rublos.

O trader do Nomos Bank, Andrei Mishko, afirmou no início do dia que o BC russo mudou a banda da moeda local para 32,25 rublos a 37,25 rublos diante da cesta, de 32,15 rublos a 37,15 rublos. O trader Pyotr Milovanov, do Metallinvestbank, confirmou a mudança.

Mishko disse ainda que o banco central russo vendeu US$ 1,2 bilhão, conforme suas projeções, para dar suporte ao rublo.

Mesmo o Brasil, que até recentemente travava uma difícil batalha para conter a valorização do real, foi forçado a agir após a moeda acumular perdas de mais de 10% em apenas quatro dias de negociação. Ontem, o BC brasileiro vendeu US$ 2,715 bilhões em contratos de swaps cambiais para conter a desvalorização da moeda local.

Os bancos centrais na Ásia também são suspeitos de terem realizado intervenções hoje e durante a semana para defender suas moedas, incluindo os da Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia, Índia, Filipinas, Cingapura e Taiwan.

"Muitos bancos centrais (asiáticos) têm uma política de manter a volatilidade baixa nos mercados de moedas, o que impediu a valorização cambial durante o ano passado, mas agora é o caminho contrário", disse Ilan Solot da Brown Brothers Harriman.

A guerra cambial do passado recente se metamorfoseou com as autoridades em mercados emergentes tendo de embarcar agora em programas de fortalecimento cambial.

"Isso é uma tentativa para conter as pressões de desvalorização dos mercados cambiais emergentes", afirmou Benoit Anne, diretor de estratégia de mercados emergentes do Société Générale, em Londres. "O que nós temos visto durante os últimos dias é um número de bancos centrais realizando intervenções a fim de suavizar a volatilidade cambial", acrescentou.

Com os investidores correndo para desmontar posições de negociações não estratégicas e investir em dólares devido à tóxica combinação do enfraquecimento dos dados econômicos mundiais com as crescentes preocupações com a crise da dívida da zona do euro, as moedas da Ásia, América Latina, Leste Europeu e África têm estado sob intensa pressão de venda.

Uma fraqueza cambial repentina pode gerar problemas inflacionários, elevando o custo das mercadorias importadas e, para os países sobrecarregados com grandes volumes de dívida denominada em moeda estrangeira, isso é particularmente prejudicial por que torna a dívida muito mais cara para ser paga. As informações são da Dow Jones.

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