BCs do Brasil e Rússia trocarão informações

O Brasil fecha um acordo com o governo russo para a troca de informações entre os bancos centrais e poderá, nos próximos meses, estabelecer entendimentos entre bancos para a exportação da tecnologia e da gerência do sistema bancário nacional. Brasília concluiu a negociação do acordo neste fim de semana na Basiléia e o entendimento será oficialmente assinado em Moscou em maio."O acordo envolve a troca de informações sobre diversas áreas, desde política monetária, como supervisão e normatização bancária", explicou Henrique Meirelles, presidente do BC. "Vamos fazer com que a experiência no Brasil possa ser transferida aos russos", completou. Para Meirelles, a experiência russa também pode ser útil ao Brasil. "A Rússia passou por um sistema de privatização rápida, mas ainda conta com um mercado financeiro com várias empresas estatais.É, portanto, um sistema em expansão e que pode oferecer oportunidades", disse o brasileiro.AcordoA idéia é também a de aproximar os bancos privados e públicos dos dois países. O vice-presidente do BC russo, juntamente com uma delegação de especialistas, esteve no Brasil há poucos meses para explorar essa possibilidade. Meirelles acredita que o próximo passo seja a negociação para a venda de softwares, tecnologia e conhecimentos que possam permitir aos russos gerenciar uma rede de bancos."Os bancos centrais dos dois países vão estabelecer um acordo de linhas gerais e depois caberá aos bancos definir como querem fazer esses entendimentos. Da parte do governo, tanto o Banco do Brasil como a Caixa Econômica Federal poderão participar da iniciativa", explicou.Sistema russoCom queda do regime soviético no início dos anos 90, a Rússia viveu não apenas um caos político, mas teve de reestruturar toda sua economia. Esse processo, segundo especialistas, ainda não foi concluído, principalmente diante da existência de um sistema bancário que oferece pouca confiança. O problema, porém, não é a falta de bancos. O país conta com cerca de mil instituições bancárias, ainda que 70% deles estejam em Moscou.O obstáculo, porém, é a falta de um sistema sólido e integrado. Sem cadastros ou avaliação de créditos, os bancos não podem oferecer serviços de cheques e, até hoje, muitos russos guardam dinheiro literalmente no colchão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.