BCs do Bric discute moeda na semana que vem na Suíça

Os bancos centrais do Brasil, Índia, China e Rússia vão se reunir na semana que vem na Basileia para tentar operacionalizar o projeto de abandonar parcialmente o dólar nas transações comerciais entre os Bric. O Brasil ainda tentará fechar um acordo semelhante para substituir o dólar no comércio com o Uruguai, mais uma passo para deixar de usar a moeda americana no Mercosul. A informação é do presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles, que ontem esteve na Suíça para dar garantias aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) de que o Brasil tem estabilidade suficiente para sediar os Jogos de 2016.No início da semana, a troca de moedas entre os quatro países emergentes esteve na agenda da cúpula dos Bric, em Ecaterimburgo. "Politicamente, não há mais nenhum entrave", disse Meirelles ao Estado.O projeto é de permitir que os países possam usar moedas locais para fechar seus contratos de exportação e importação. Dessa forma, evitariam ser prejudicados pela variação do dólar ou pela falta da moeda americana em algum momento. O movimento ainda significaria um fortalecimento do bloco de países emergentes.Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, é um dos que sugere essa opção em seu projeto de reforma do sistema financeiro internacional, processo solicitado a ele pela ONU.Mas o projeto enfrenta problemas importantes. O primeiro deles é o de competitividade. Setores industriais no Brasil temem que os chineses possam se aproveitar do acordo para incrementar ainda mais suas vendas no Brasil. Nos últimos anos, o Brasil vem adotando uma série de medidas de restrição às importações chinesas. Outro problema é o impacto que acordos de substituição do dólar teriam para o próprio valor da moeda americana. Os quatro países do Bric contam com reservas internacionais no valor de US$ 2,7 trilhões e uma perda de credibilidade do dólar afetaria essas reservas. "Vamos conversar com os demais BCs para ver como isso pode ser levado adiante", disse Meirelles, que estará na Basileia para a reunião anual dos presidentes de BCs de todo o mundo. Ele admite que o processo pode ser demorado.

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