BCs globais se unem contra crise

Ação concertada de Fed e BCE, entre outros, é a primeira desde atentados de 2001; investidores não se animam

O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Washington - Os principais bancos centrais do mundo anunciaram ontem uma série de medidas simultâneas para tentar acalmar os mercados financeiros. A ação concertada é a primeira desde 11 de setembro de 2001, dia do ataque terrorista às torres gêmeas do World Trade Center. As bolsas de valores, que nesses momentos funcionam como o melhor termômetro da receptividade dos investidores, receberam a informação com euforia. Ao longo do dia, porém, a percepção positiva se diluiu. O Índice Dow Jones avançou 0,31%, a bolsa eletrônica Nasdaq, 0,71%, e o Índice S&P 500, que reúne as principais empresas americanas, 0,61%. No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) valorizou 0,36%.Entre outras medidas, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) criou uma linha emergencial de financiamento pela qual emprestará ao menos US$ 40 bilhões ao sistema financeiro. Os empréstimos terão juros menores que os da taxa de redesconto (4,75% ao ano) e aceitarão as mesmas garantias oferecidas na modalidade de redesconto. "Essa facilidade poderá servir para promover a disseminação eficaz de liquidez quando os mercados interbancários sem garantia estiverem sob pressão", disse o BC dos EUA, em comunicado. O primeiro leilão, de US$ 20 bilhões, foi marcado para segunda-feira e será seguido de outro, de até US$ 20 bilhões adicionais, no dia 20 de dezembro. O terceiro e o quarto leilões serão realizados nos dias 14 e 28 de janeiro, respectivamente, e terão volumes financeiros que serão fixados no próximo mês.Essas operações permitirão aos bancos com problemas de liquidez arrecadar fundos no curto prazo para continuar oferecendo empréstimos a empresas e consumidores.O Fed informou também que criará linhas de swap (um tipo de operação que consiste na troca de indexadores, como, por exemplo, dólar por taxa de juros) recíprocas com o Banco Central Europeu (BCE), num total de US$ 20 bilhões, e o Banco Nacional Suíço (BNS), de US$ 4 bilhões. Segundo analistas, isso permitirá que o BCE e o BNS façam empréstimos em dólares a bancos em suas jurisdições, com o objetivo de pressionar para baixo as taxas interbancárias em dólares nesses mercados. TEMORO Banco do Canadá (banco central), por sua vez, informou que ampliará a lista de ativos que aceita como garantia de um empréstimo, uma decisão que também será adotada pelo Banco da Inglaterra (banco central do Reino Unido). O BC inglês, além disso, aumentará o volume de emissões de títulos de três meses.O plano representa a primeira ação coordenada dos grandes bancos centrais para abordar o endurecimento do acesso ao crédito desde o estouro da crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos, em agosto. O temor de que essas perdas pudessem quebrar instituições financeiras provocou uma forte retração dos mercados de crédito interbancários, não apenas nos EUA, mas também na Europa e na Ásia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.