BCs injetam dinheiro para ajudar mercado de crédito

Só o banco central dos EUA irá emprestar até US$ 200 bilhões; medida do Fed FAZ Bolsa de NY disparar

NATHÁLIA FERREIRA E CAROLINA RUHMAN, Agencia Estado

11 de março de 2008 | 10h32

Os bancos centrais anunciaram medidas coordenadas nesta terça-feira, 11, para ajudar os mercados de crédito, como empréstimos de títulos, leilões a prazo de recursos e operações no mercado aberto. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, vai emprestar até US$ 200 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, em um programa de empréstimos de ativos a instituições por um prazo de 28 dias.     Veja também: Inflação da China excede previsões e sobe a 8,7% em fevereiro Petróleo bate novo recorde e chega a US$ 109 em Nova YorkESPECIAL: Preço do petróleo em altaEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar   Além do Fed, medidas específicas foram anunciadas pelo Banco do Canadá, Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço. As ações anunciadas hoje pelo BC dos EUA complementam as medidas tomadas na sexta-feira passada para ampliar o volume financeiro dos leilões a prazo (TAF, na sigla em inglês) para US$ 100 bilhões e realizar diversas operações de recompra de títulos que irão acumular US$ 100 bilhões. As medidas provocaram alta nas ações em Nova York, lideradas pelas companhias de serviços financeiros, e bolsas européias também operam em alta. "Basicamente o Fed pode agora (efetivamente) comprar títulos lastreados em hipotecas AAA que ninguém mais compraria", disse Lorenzo Di Mattia, gestor de fundo de hedge Sibilla Global Fund. "É realmente jogar dinheiro de helicópteros." No entanto, os mercados financeiros ainda estão preocupados com uma potencial recessão nos EUA em meio ao forte aumento dos preços do petróleo e à crise no mercado de moradias. E, nas últimas semanas, as ações oscilaram com força nas duas direções. Às 11h30 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 255 pontos, ou 2,1%, para 11.995 pontos, depois de atingir ontem a mínima em 52 semanas. O S&P 500 estava em alta de 28, ou 2,2%, em 1.301 pontos. O Nasdaq subia 49 pontos, ou 2,3%, para 2.218 pontos. Entre os papéis financeiros, Citigroup disparava 6,9% e JP Morgan avançava 5,6%. Segundo comunicado do Federal Reserve (Fed, banco central americano), desde que as últimas ações coordenadas foram tomadas em dezembro de 2007, "os bancos centrais do G-10 continuaram trabalhando juntos e consultando regularmente as pressões de liquidez nos mercados de financiamento. As pressões em alguns desses mercados aumentaram novamente. Continuamos trabalhando juntos e tomaremos medidas apropriadas para lidar com essas pressões de liquidez". O Banco Nacional Suíço (SNB) anunciou hoje que vai oferecer até US$ 6 bilhões em recursos às instituições financeiras. O BC suíço vai conduzir o próximo leilão em dólar em 25 de março. O SNB participou de ações semelhantes anteriores, alocando US$ 4 bilhões em fundos cotados em dólar, em um leilão em dezembro de 2007. As informações são da Dow Jones. O dólar avança em relação ao euro e ao iene em reação à ação coordenada anunciada pelo Federal Reserve e outros bancos centrais para impulsionar a liquidez nos mercados financeiros. Às 11h31 (de Brasília), o euro recuava 0,36%, para US$ 1,5309, e o dólar avançava 1,69% para 103,36 ienes. Mais cedo, o euro chegou a subir à nova máxima histórica de US$ 1,5496.Texto alterado às 12h04

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