BCs já planejam o pós-crise

Gasto público deve recuar quando mundo reagir

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

O mercado mundial ainda patina no atoleiro da recessão, mas os presidentes de bancos centrais já começam a projetar - mesmo que ainda sem data definida - o fim das "medidas anticíclicas". Anunciadas após a falência do banco americano Lehman Brothers, as iniciativas ampliaram os gastos públicos visando a impedir o desaquecimento brusco da economia. No Brasil, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, citou algumas medidas que fariam parte da "estratégia de saída" - ações que precisarão ser revertidas após o fim da turbulência. São elas: o fim dos empréstimos de reservas; o fim das isenções fiscais, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e a volta à meta do superávit primário, que subirá dos atuais 2,5% para 3,8% em 2010. "A estratégia de saída vai depender do cenário (econômico)", disse Meirelles. "Não são medidas que decidimos tomar. São medidas que as condições nos permitem tomar." Questionado quando seria o momento, o presidente do BC respondeu: "Quando o crédito internacional se normalizar". Ainda segundo Meirelles, nenhuma medida pode ser adotada na atual conjuntura. "No momento, continuamos focados nas medidas de recuperação." Mas não apenas o governo brasileiro já traça suas estratégias de saída para o pós-crise. Nos Estados Unidos, as discussões dizem respeito à recompra de títulos emitidos durante a crise - para conter a expansão financeira do dólar -, a elevação dos juros e o equilíbrio fiscal. E a Europa concentra seus debates no reequilíbrio fiscal e no futuro reajuste da política monetária. INTEGRAÇÃOO Banco Central do Brasil passou a integrar ontem o grupo que estuda as regras internas de governança das autoridades monetárias. O grupo é um fórum de debates de presidentes de BCs sobre temas como administração interna e sistemática de cálculos. Com a adesão do Brasil, que até aqui assistia eventualmente às reuniões como membro convidado, oito países, mais a Europa, integram o conselho: Israel, Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Tailândia, Malásia, China e Banco Central Europeu (BCE). A pauta de ontem foi como os bancos centrais podem garantir a estabilidade das economias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.