BCs mundiais querem evitar 'contaminação' da crise nos EUA

As análises da entidade apontam que, ao lado da China, Brasil está conseguindo evitar contágio

Jamil Chade, de O Estado de São Paulo,

09 de março de 2008 | 17h53

A crise no mercado de crédito dá sinais de que não vai poupar as economias emergentes que até agora ficaram isentas de uma queda de atividade. Neste domingo, 9, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais) abriu sua reunião entre os maiores BCs do mundo com sérios alertas: a crise nos Estados Unidos está se aprofundando e o debate a partir de agora será o de como colocar em prática medidas para evitar que haja uma "contaminação generalizada" de uma recessão. As análises da entidade apontam que, ao lado da China, o Brasil está por enquanto conseguindo evitar de certo modo ser afetado de forma profunda pela crise. Veja também: Economia dos EUA claramente tem desacelerado, diz Bush FMI: emergentes divergiram da crise, mas não descolaram Assessor de Bush admite que PIB pode estar em queda ESPECIAL: Preço do petróleo em alta Livro Bege confirma desaceleração nos EUA Evolução do preço do dólar  Entenda a crise nos Estados Unidos   O encontro na Basiléia contará com a presença dos principais presidentes dos BCs do mundo, entre eles Henrique Meirelles. Nos corredores dos luxuosos hotéis suíços, poucos são os que se atrevem a fazer comentários sobre a situação. Nos bastidores, o clima é de preocupação entre os xerifes das finanças internacionais e hoje a grande expectativa dos BCs de todo o mundo será em relação ao discurso que fará os representantes do Federal Reserve Bank (o Banco Central americano) em relação à situação nos Estados Unidos no encontro no BIS. Autoridades de Banco Centrais revelaram ao Estado que os dados de desemprego nos EUA assustaram e que o debate a partir de agora é o que deve ser feito para conter uma contaminação generalizada. Outra questão é saber como os americanos se utilizarão dos recursos distribuídos pelo FED (banco central dos Estados Unidos) para garantir a liquidez. Para um representante de um BC latino-americano, a situação nos Estados Unidos se agravou de maneira preocupante e as previsões são piores que as feitas em janeiro, quando o BIS se reuniu pela última vez.  Análises  Segundo a avaliação publicada pelo BIS há poucos dias, o mercado de créditos se deteriorou entre janeiro e fevereiro diante da expectativa de recessão nos EUA. O anúncio da alta do desemprego nos Estados Unidos deve aprofundar ainda mais o temor, além de colocar dúvidas sobre a capacidade do setor financeiro a dar uma resposta ao ambiente de incertezas.  Para as autoridades monetárias, está cada vez mais difícil corrigir a falta de regulamentação no setor bancário, que originou a crise no mercado de créditos. Meirelles, que fará parte do debate de segunda-feira, conhece bem a situação, já que foi um dos primeiros nos anos 90 a usar mecanismos parecidos aos subprimes (empréstimos com risco de calote), quando era presidente do BankBoston nos Estados Unidos. Na época, porém, nem a complexidade das operações nem os riscos eram da mesma magnitude. Para o BIS, um fator que já vem chamando a atenção é a contaminação cada vez mais clara da situação americana nos mercados emergentes, desmistificando a idéia de que, dessa vez, as economias em desenvolvimento estariam isentas da crise. "A desaceleração generalizada claramente começou a pesar em muitos mercados financeiros emergentes", afirmou a análise do BIS. Com relação ao Brasil, o BIS admite que ainda há sinais de que o País conseguiu se desprender das demais economias emergentes na turbulência nos mercados financeiros internacional.

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