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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bear Stearns recomenda cautela; Merrill Lynch confia no Brasil

As casas de investimentos norte-americanas estão recomendando a seus clientes que tomem posições defensivas sobre ativos brasileiros com exposição ao real e à taxa de juro. O. O motivo é a liderança do pré-candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto. "As preocupações em relação à crescente probabilidade de inviabilidade do candidato do governo (José Serra) está levando à procura por hedge (proteção) pelas empresas e investidores", informou a Bear Stearns em nota distribuída na sexta-feira. "A combinação do real fraco e a probabilidade de o Banco Central voltar a adotar política de elevação nas taxas de juro para conter tal enfraquecimento (do real) indica que o desempenho das companhias brasileiras será atingido em termos de receita e custos", advertiu a Bear Stearns. A taxa de juro alta aumenta a possibilidade de não-pagamento de crédito adquiridos, eleva os custos do crédito e "desvia fluxo de caixa que, de outra maneira, seria utilizado com investimentos em bens e serviços", acrescenta o banco de investimento. "Nesse ambiente, mantemos nossa preferência por companhias exportadoras, as quais devem beneficiar-se da queda do real", diz o banco. Diante das perspectivas desfavoráveis para a moeda brasileira e para as taxas de juro, a instituição reduziria para abaixo da média do mercado sua recomendação para companhias financeiras, de serviços celulares e de energia. Elevaria para acima da média do mercado sua recomendação para a Vale do Rio Doce e para a Embraer, embora tenha dito que, por sua parte, "não enfatizaria" a Vale e a Petrobras. Aconselha evitar Globocabo e as provedoras de serviços sem fio, "à medida que mostraram pouca habilidade em lidar com condições de deterioração de crédito dos consumidores, enfraquecimento da moeda e queda na demanda doméstica". O Bear Stearns favorece Gerdau e a Companhia Siderúrgica de Tubarão. O relatório da Merrill LynchA Merrill Lynch informou em relatório ontem que o Brasil continua a ser o mercado de ações favorito da corretora este ano na América Latina. "Evitamos rebaixar o mercado porque continuamos a acreditar fortemente que, com numa perspectiva de longo prazo, o Brasil ainda possui o melhor potencial para desempenho acima da média do mercado dentro da América Latina, diante dos valores atrativos dos ativos atualmente e da provável melhora dos fundamentos", argumentou a corretora. Segundo a Merrill, o Brasil à média de preço/lucro em 2003 de 6,2 vezes, enquanto o México à média de 11,3 vezes. "Reconhecemos que o Brasil parece barato em bases múltiplas, mesmo quando considerando os spreads soberanos", disse a Bear Stearns. A Merril observou que, embora os administradores de fundos de ações estejam com posição acima da média do mercado em México - segundo a referência do índice MSCI -, não temos certeza quando os efeitos catalisadores ao México virão. Por outro lado, "os efeitos catalisadores para o Brasil estão logo à frente", disse a Merrill. "Os mercados estão novamente reagindo com excesso desnecessário às pesquisas, o que significa pouco na atual fase do jogo... a fase crítica da campanha ainda está por vir, em agosto". As informações são da Dow Jones.

Agencia Estado,

07 de maio de 2002 | 10h05

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