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Belluzzo critica Lula e FHC e diz que Brasil é China dos anos 60

O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), fez duras críticas à política econômica do atual governo e do anterior e explicou, com o que ele chamou de constatações e não de ideologias, o sucesso da economia chinesa e o fracasso da brasileira. Ele afirmou que o Brasil parece a China dos anos 60 e 70, quando os chineses ainda não haviam feito as reformas econômicas, que, a partir de 1979, fizeram os chineses crescer acima da economia mundial. ?Fomos ultrapassados pelos chineses em todos os sentidos. Eles não só cresceram como avançaram na graduação tecnológica", disse o professor.Belluzzo não poupou palavras para criticar as contradições da política econômica brasileira. "Nunca foi tão necessário investir em infra-estrutura, como também nunca (os recursos) foram tão baixos. E isso, certamente é uma dificuldade para a economia do País", afirmou. Para o professor, fica cada vez mais claro que, se o Brasil não tiver uma política mais clara de investimentos, o País irá perder para outros competidores menos qualificados.Críticas ao governo FHCAs críticas de Belluzzo sobraram até para o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em tom irônico, o economista afirmou que, durante um longo período, o Brasil sobrevalorizou a sua taxa de câmbio, que pareceu servir como uma espécie de aviso para que as empresas estrangeiras não se instalassem no Brasil e fossem para a Costa Rica. "A China fez o contrário", comentou.Desde 1994, explicou ele, "o governo chinês mantém a sua taxa de câmbio subvalorizada". Belluzzo disse ainda que o Brasil escancarou seu sistema financeiro e permitiu a entrada de capitais voláteis, enquanto que os chineses faziam o contrário, controlavam o capital. "É impressionante o pragmatismo chinês", ponderou.Críticas aos economistasA metralhadora de Belluzo foi ainda direcionada aos próprios economistas, como ele. "Éramos conhecidos como inovadores em matéria de política econômica. Mas estamos vendo que não é bem assim. Sempre seguimos essa coisa dominante e aceitamos porcarias", disparou, antes de elogiar, mais uma vez, o pragmatismo chinês. "Tem dois tipos de países periféricos: os que seguiram pelo lado do comércio, como os asiáticos, e os que seguiram pelo lado da conta de capital, como o Brasil."Sobre uma eventual desaceleração da economia do gigante asiático, o professor afirmou que o governo chinês não vai permitir uma aterrissagem brusca, pelo contrário, fará o possível para fazer com que ela seja macia e sem sobressaltos. Ele acredita, entretanto, que a redução na atividade econômica chinesa afetará, inevitavelmente, a demanda de produtos agrícolas, com a qual o superávit da balança comercial do Brasil em relação à China será afetado.Opinião contráriaMas nem tudo em um mar de rosas na China, disse à Agência Estado Durval Noronha, da Noronha Advogados, primeiro escritório de advocacia da América Latina a se instalar na China, em 2001. "Nós (o Brasil) fizemos reformas democráticas, enquanto que a China ainda está em processo de introdução do Estado de direito", disse Noronha. Para ele, essa é uma vantagem que o Brasil tem quanto ao exercício de cidadania, que permite, na base do debate em todas as instâncias da sociedade, a formulação de políticas para o desenvolvimento do País."Como é que a China pode fazer o grande salto democrático sem perder o crescimento econômicos que tem?. Essa é a grande interrogação", lembrou Noronha, também professor visitante da Faculdade de Direito do Instituto de Comércio Internacional de Xangai e da Tsnghua University, de Pequim. Noronha lembrou ainda que o aumento da renda per capita na China vem ocorrendo em pequenos segmentos da sociedade em detrimento de uma grande maioria, o que traz riscos políticos para o país.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 15h48

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