Belo Monte depende da 'mão forte do governo'

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou ontem que "sem a mão forte do governo", a usina de Belo Monte, com capacidade para gerar 11 mil megawatts (MW), não sairia do papel.

Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Ressaltando que a usina de Belo Monte é uma obra "complicadíssima", localizada numa área complexa, ele avaliou que "não bastará apenas a participação do governo no empreendimento apenas por meio de seu braço estatal, a Eletrobrás". "Vai precisar de ação permanente do governo. É uma usina que, se você largar, não vai sair."

Tolmasquim disse que, além de todas as condicionantes que os investidores terão de fazer durante a obra para atender a região, o governo também deve dar sua parcela de contribuição. Segundo ele, não bastam as "casas de alvenaria", que os investidores vão construir para a população que vai ser desalojada. "É preciso que o governo também coloque recursos."

O comentário de Tolmasquim respondeu a questões levantadas durante evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), sobre a forte participação do Estado nos empreendimentos de energia no Brasil. O presidente da EPE discordou da afirmação, e disse que a maior parte dos empreendimentos que vêm sendo realizados no Brasil está nas mãos da iniciativa privada, "com exceção de Belo Monte".

Ainda assim, lembrou, Belo Monte tem vários sócios da iniciativa privada. A formação da SPE de Belo Monte foi aprovada na semana retrasada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A sociedade foi montada com Eletrobrás (15%), Chesf (15%), Eletronorte (19,98%), Petros (10%), Bolzano Participações (fundo formado por Previ e Iberdrola, com 10%), Funcef (2,5%), Caixa FI Cevix (parceria da Funcef com Engevix, tem 5%), J. Malucelli Energia (0,25%), Gaia (9%), Sinobrás (1%), Queiroz Galvão (2,51%), OAS (2,51%), Contern Construções (1,25%), Cetenco Engenharia (1,25%), Galvão Engenharia (1,25%), J. Malucelli Construtora (1%), Mendes Júnior (1,25%) e Serveng (1,25%).

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