Bem-estar animal no radar das empresas

Nestlé adota regras para melhorar saúde animal na cadeia alimentar; Burger King já fez o mesmo

STEPHANIE STROM, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2014 | 02h03

A Nestlé, uma das maiores multinacionais do setor de alimentos do mundo, está adotando normas para o bem-estar dos animais que afetarão 7,3 mil de suas fornecedoras, e também as fornecedoras destas.

A decisão é um dos compromissos de maior alcance para melhorar a qualidade de vida dos animais no sistema alimentar e, provavelmente, terá profundas consequências para as outras companhias que compartilham dos mesmos fornecedores ou competem com a Nestlé.

"No mundo digital, todos têm um smartphone e querem saber de onde vêm os produtos, e então trocam informações", disse Kevin Petrie, gestor-chefe de contratos da Nestlé para a América do Norte.

"O produto é bom para mim? A qualidade é boa? Sua fonte é responsável?" A nova política, disse ele, é mais uma iniciativa da Nestlé para fazer frente aos riscos em suas cadeias de suprimentos, como o trabalho infantil e o óleo de palma, cuja produção é deletéria para as florestas.

Hoje, as pessoas estão muito mais informadas a respeito da fabricação dos ingredientes dos alimentos que consomem - e estão muito mais dispostas a compartilhar esse conhecimento para levantar celeumas nas mídias sociais, prosseguiu.

Pressionadas por grupos de defesa do bem-estar dos animais, fabricantes de alimentos e cadeias de restaurantes mais conhecidas deram prazos às fornecedoras de carnes, ovos e derivados de leite para eliminarem práticas consideradas por ativistas e alguns consumidores prejudiciais ao bem-estar animal.

A Burger King, por exemplo, anunciou que até 2015 os ovos que ela utiliza serão procedentes de galinhas que vivem fora das gaiolas, e que sua carne suína só será originária de produtores que documentam seus planos para eliminar com o tempo as celas de gestação.

McDonald's, General Mills, Quiznos e outras têm planos semelhantes, e em muitos casos dão às suas fornecedoras cerca de dez anos, ou mais ou menos o tempo para a substituição de suas instalações, para modificarem suas práticas.

De acordo com as novas normas, a multinacional de alimentos Nestlé não comprará produtos derivados de suínos criados em gaiolas de gestação, de galinhas que vivem em baterias de gaiolas, de gado que ficou deformado ou cujos chifres foram retirados ou a cauda foi amputada sem anestesia, e animais cuja saúde ficou comprometida por drogas que aceleram o crescimento.

O cumprimento das normas será fiscalizado pela SGS, especializada nesse tipo de operação. E a supervisão da SGS ficará a cargo do grupo de ativistas da organização World Animal Protection. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.