Ben Bernanke nega ter pressionado o BofA

Presidente do Fed é acusado de forçar o banco a comprar o Merrill Lynch

Agências internacionais, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, negou ter pressionado o Bank of America (BofA) a comprar o banco de investimentos Merrill Lynch, em janeiro deste ano, como denunciou o dirigente da instituição, Kenneth Lewis. "Não disse à gerência do Bank of America que o Federal Reserve tomaria medidas contra o conselho diretivo ou a gerência, caso decidissem suspender a compra", disse Bernanke, em depoimento à Comissão de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara de Representantes.O Bank of America cogitou interromper a operação ao saber que o volume de perdas no balanço do Merrill Lynch alcançou US$ 15 bilhões no último trimestre de 2008. Mas concluiu o negócio em janeiro, com a ajuda de recursos públicos de US$ 20 bilhões, dos US$ 45 bilhões que recebeu do governo para fortalecer sua base de capital.Segundo testemunhou Lewis ao Congresso, Henry Paulson, o então secretário do Tesouro americano, e outros funcionários federais deixaram claro que, se a instituição saísse da operação, os membros da junta diretiva do banco seriam destituídos. Bernanke negou ter ameaçado, mas, disse que se o BofA tivesse cancelado a compra e, em seguida precisasse de ajuda do governo, isso poderia ter repercussões negativas. "Acho que, se alguém toma uma decisão que resulta na falência da companhia que depois é resgatada pelo governo, isso traria consequências." No testemunho, o presidente do Fed afirmou que o banco central atuou "com a maior integridade".O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o governo do presidente Barack Obama não está preocupado com o caso. Segundo a Casa Branca, Obama afirmou que confia em Bernanke e não se preocupa com o papel que o Fed teve na negociação do Merill Lynch.

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