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Bendine assume presidência da Petrobrás sem processo de transição

Aldemir Bendine terá a incumbência de referendar e incluir no balanço do 3º trimestre de 2014 o cálculo de perdas com corrupção; executivos da antiga diretoria se colocaram à disposição para uma eventual colaboração, mas ainda não houve convocação

Irany Tereza, O Estado de S. Paulo

09 Fevereiro 2015 | 12h43

BRASÍLIA - Sob o comando de Aldemir Bendine, a nova diretoria da Petrobrás assumiu nesta segunda-feira a empresa sem um período de transição com a antiga gestão. Os cinco executivos que pediram demissão, na semana passada - todos aposentados ou em processo de aposentadoria - já não dão mais expediente na empresa. Também não há previsão de que Graça Foster, ex-presidente, compareça à estatal.

Segundo o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou, os executivos da antiga diretoria se colocaram à disposição de Bendine para uma eventual colaboração. Mas, até agora, não houve qualquer convocação. A área financeira já está sendo dirigida por Ivan Monteiro, que integrava, com Bendine, a diretoria do Banco do Brasil.

Monteiro é o único titular da nova diretoria. Os outros quatro substitutos dos demissionários são interinos e eram os "segundos" em cada área. A escolha dos titulares caberá a Bendine.

Ao novo presidente caberá também a incumbência de referendar e incluir no balanço do terceiro trimestre do ano passado o cálculo das perdas com corrupção. A cifra que chegou a ser apresentada por Graça, de R$ 61 bilhões (diferença entre os R$ 88 bilhões em ativos superavaliados e os R$ 27 bilhões dos subavaliados, conforme estudo das consultorias contratadas pela estatal) está totalmente descartada.


Bendine e Monteiro irão assinar os balanços do terceiro e do quarto trimestres do ano passado. Segundo uma fonte com acesso às negociações, o regulamento determina que assina o documento quem está no exercício da direção.

Caso haja, durante o processo, a descoberta de alguma irregularidade na contabilidade, cometida pela antiga diretoria, quem irá responder será a ex-presidente Graça Foster e o ex-diretor financeiro Almir Barbassa. Mas, todas as decisões tomadas de hoje por diante (inclusive o cálculo a ser incluído no balanço e a metodologia usada para isso) serão responsabilidade dos novos gestores.

A antiga diretoria deixou para a atual um esboço do plano de investimentos 2015-2019, com redução significativa em relação aos US$ 220,6 bilhões previstos no período anterior, que ainda incluía os projetos, já expurgados, das refinarias Premium I e II, no Maranhão e Ceará. O planejamento apresentado no ano passado pela Petrobrás já trazia um enxugamento de US$ 16,1 bilhões previstos no período 2013-2017. O corte deste ano pode ser ainda mais expressivo.

Bendine e Monteiro receberam da antiga diretoria relatórios das diversas áreas. Pelo acompanhamento da antiga gestão, a companhia terá de recorrer ao mercado para reforçar o caixa ainda este ano, provavelmente no segundo semestre.

Reportagem publicada pelo Broadcast no dia 30 de janeiro mostra que, pelas contas do mercado, a empresa precisaria captar de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões para fechar o ano de 2015. Como no momento há zero de chance de captação externa sem o balanço anual e com as investigações no âmbito da Operação Lava Jato, a saída seria voltar ao mercado doméstico de debêntures. Após uma década fora desse mercado, a expectativa é de que essa operação seria de ao menos US$ 2 bilhões este ano.

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